Carta Aberta a Gilberto Madail...
Confesso não nutrir por Vossa Excelência, o mais profundo dos afectos. Os motivos são poucos, mas densos: essa sua ideia de abastardar o conceito de alma lusa, ao ponto de tingir as camisolas nacionais com as cores canarinhas, considero-a própria de um país ainda há procura de si mesmo, pequenino, sem expressão, a precisar de “outro sangue”… um país do terceiro mundo do futebol! Ora Portugal é muito mais do que isso. E também, esse seu estranho silêncio apaziguador à volta dos escândalos que têm envenenado o nosso futebol, me merecem algumas reservas… Mas, vá lá!, admito porém, que aprecio essa sua voz majestosa e grave, própria de um líder que se impõe e esse seu perfil distante e sereno, de um político, que cedo, vá-se lá saber porquê! preferiu as andanças da bola à adrenalina do poder. Mas também, parafraseando o saudoso António Variações, embora reconhecendo que “esse seu nome até nem é um espanto, é cá da terra… tem um outro encanto”! Como vê, procuro ser equidistante, na análise que de si faço. E é aí, que a porca torce o rabo! E explico porquê. Senhor Presidente! Vossa Excelência exerce o mais alto cargo, na hierarquia do futebol! Diria mesmo, que é o Presidente da República do Futebol Português! Exige-se, portanto, de si, distância, serenidade e imparcialidade. Vossa Excelência deve ser visto com um árbitro, não como um jogador, como um juiz e não como um advogado, como um dirigente e não, como um funcionário. Por isso, permita-me que lavre aqui, a minha mais profunda perplexidade com a forma algo estranha e (não me leve a mal que o diga) até comprometida, com que tem lidado com os órgãos da UEFA, no caso da putativa sanção ao FCP, por este não ter recorrido de um castigo aplicado pelas instâncias da FPF, por tentativa de suborno de árbitros. “Espero equidade!”, clamou Vexa, lembrando outros casos europeus. E, num desesperado esforço de inverter o mal feito (não recurso do FCP e, por isso, transito em julgado), procurou expedientes que ainda pudessem fazer regredir a mesma decisão, quanto ao Apito Final. O Senhor espera Equidade da UEFA. Nós esperávamos silêncio e Equidistância do Presidente da FPF. E por dois motivos que considero essenciais: 1º) Existem interesses divergentes quanto à matéria, já que a saída eventual do FCP das competições europeias, arrasta consequências, em efeito dominó, para três clubes portugueses; 2) O senhor (desculpe ser com letra pequena, mas, chegado a este ponto, faltam-me as maiúsculas) deu um sinal muito negativo quanto à problemática da corrupção. Deu-nos o sinal de que os interesses supremos do FCP se confundem com os supremos interesses do país, a exemplo do SLB de outros tempos e que a corrupção (mesmo na forma tentada), é aceite como um pecadilho perdoável com dois pai-nossos e três ave-marias. E foi essa a ideia que, no meu humilde entendimento, fez transparecer junto dos organismos da UEFA: a ideia de que o senhor se comportou como um causídico do corpo jurídico do FCP, para quem, mais importante do que combater a “batota”, nas palavras de Michel Platini, é defender o seu cliente. Portou-se muito mal, senhor gilberto madail! Embora seja cá da terra, perdeu já todo o encanto. Já agora um conselho: vá para a política! O senhor tem perfil e carisma! Estou certo de que se não arrependeria… A bem da Nação
3135 vezes lido
|