Cinto mais apertado!
Dizia o Padre António Vieira - a quem Pessoa chamava o Imperador da Língua Portuguesa - que os “portugueses têm um pequeno país para nascer e todo o mundo para morrer”. Como as coisas estão, eu, que não me entusiasmo minimamente com o conceito de “cidadão do mundo” e só ponderaria emigrar em caso de uma epidemia séria de peste bubónica, já não sei se não será melhor ir morrer no mundo… Como o Padre António Vieira, também dizia no seu “Sermão de Santo António aos Peixes”, “vós comei-vos uns aos outros e os grandes comem os pequenos; se fosse ao contrário, menos grave seria…”. Os peixes, pelos vistos, continuam a engolir-se como habitualmente e a metáfora que o grande orador queria dirigir, não aos peixes mas aos homens, ou não foi compreendida pelos humanos ou até os acirrou a continuarem o “canibalismo”. Já que estou em maré de citações… Li outro dia, num almanaque antigo, um provérbio chinês que rezava assim: “Não interessa se o gato é preto ou branco, o que interessa é que cace ratos”. Endereço o sentido do aforismo ao Governo, sendo que, no caso vertente, os ratos podem chamar-se bolsos, carteiras, porta-moedas, debaixo do colchão, recibos, produtos alimentares, banha da cobra, gasolineiras, repartições públicas… A nossa existência contemporânea é um “mix” de condicionamentos através dos impostos, de razões sociais e políticas meias turvas e de anarquia de melhor “pano” que a Liberdade. Cito de novo, como li outro dia no Inimigo Público das sextas-feiras do jornal “Público”, uma espécie de página de “contra-informação” escrita e com ainda mais piada que a televisa: “ (…) hoje em dia, como o custo das prestações das casas deixa as pessoas sem dinheiro para comer, os portugueses deixaram de procurar habitações com despensa ou sequer cozinha. Basta-lhes uma sala com um sofá para se sentarem a comer uma lata de sardinhas e um pacote de bolachas torradas do Minipreço”. Se ainda aí não estamos, para lá andamos…
3159 vezes lido
|