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MACINHATA DO VOUGA: CEMITÉRIO PAROQUIAL E INCINERAÇÕES

por Alcides Melo em Maio 08,2008

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Macinhata do Vouga tem um cemitério bonito, obra nossa, a nosso gosto, feita com o nosso dinheiro… “Jóia da coroa” da terra macinhatense da que nos podemos orgulhar!…

Considerando, porém, o conjunto de condições com que estamos a gerir os investimentos no cemitério, o caminho que seguido será o mais conveniente e sensato? Não seria aconselhável ser mais prudente nos investimentos em obras de cutos avultados em terrenos que pagamos, que consideramos nossos e não são tanto como se nos afigura? E, também, não deveríamos observar que estamos a caminho de um tempo que pode chegar em breve, que é a cremação de cadáveres, em que os cemitérios se poderão tornar simbolo de um passado histórico… e funcionar, num reduzido espaço? Isto não é criíica, pois também eu tenho um mausoléu no cemitério.
É uma opinião! Uma antevisão de que o futuro nos poderá reservar. Não está de modo nenhum em causa o direito de cada um fazer como bem quiser e entender.

CREMAÇÃO
E CAMPA RASA


Vem isto a propósito, da visita a minha casa de um casal holandês, meu amigo, que eu levei ao cemitério, por ter este na conta de um “ex--libris” digno da melhor atenção.
Tratava-se de um professor da Universidade de Enschede, Mr. Alphonsse Verbraggen. A ideia saiu premiada. Tanto ele como a esposa acharam o cemitério bonito e tratado com esmero. Decorria a visita, o casal parou e o professor, pedindo desculpa, encetou com a esposa, que não fala francês, um breve diálogo, em língua flamenga.
E do que conversaram, disse-me: “Na Holanda, praticamente, só temos campas rasas. Mausoléus, não há, jazigos, nada, de todo. A crescente preferência está voltada para a incineração. Mais higiénica”. E, como é timbre de gente senhoril, sublinhou amavelmente: “Não é critica. Provavelmente, diferença de cultura. Mas é para lá que se caminha e vocês não deixarão de lá chegar”.
Conclusão: em país com nível de vida muito superior ao nosso, os holandeses não exorbitam nos investimentos no cemitério, e, a opção, campa rasa, naquele sítio onde o cristão se deve despir de vaidades e procurar a Graça do Senhor, não será a melhor postura para se pôr em comunhão de espírito com Ele?!

HOMENAGEM A
PROFESSOR


No decurso da visita, passámos junto ao mausoléu onde repousa uma professora do meu tempo (1940), que sempre me mereceu - e não foi minha - muito respeito. Aliás, naquela época, havia muito respeito, e não era só produto do medo, como dizem por aí.
E qual não foi a minha surpresa, agradável, ver lá uma lápide que dizia “Homenagem dos seus alunos”. Quanto dos mesmos não terão experimentado a almatória e a cana? Mas não esqueceram a sua professora. E agradeceram! E quantos não se terão feito grandes homens graças a essa Senhora, e se calhar… à palmatória e à cana? Eu posso falar porque também apanhei e que saudades eu não tenho da minha professora! E hoje? Sem se lhes tocar na ponta de um cabelo… que vemos nós?!

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