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Ano quê?

por Luisa (dra) Mello em Janeiro 20,2011

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n Não estou  a brincar, por muito que me apetecesse para desanuviar do ano que acabo de deixar para trás e das promessas que o agora entrado nos anuncia.
A sério que em toda a minha vida nunca tanto tenha evitado dizer “Bom-Ano” a amigos e conhecidos e tanto engolido em seco quando a mim o desejaram. Anedotas de mau gosto sempre me confrangeram. A questão é metermo-nos em hábitos e etiquetas bem intencionadas e segui-las mesmo quando as perspectivas se nos apresentam de pernas ao ar. Devo ter passado por indelicada ou no mínimo esquecida: este foi o ano em que não enviei um único cartão de boas-festas e ainda estou por responder aos que a mim amavelmente enviaram. Ando a estudar uma maneira de agradedecer sem me referir a festas ou bom ano e ainda não descobri… Como os chamados SMS me são totalmente desconhecidos também não foi por aí que o gato foi ás filhoses. Sabendo desta minha ignorância por esta via não me foi desejada coisíssima nenhuma, salvo a elaborada saudação do meu guarda-nocturno, lida por acaso pela minha neta Luísa, a quem peço volta e meia para me “desentupir” de mensagens comerciais o telemóvel, sem sequer se dar ao trabalho de as ler. Em tudo quanto a electrónicas diga respeito, verdade seja dita que não “stresso”. O meu filho põe-me aqui à sorrelfa - deixa os comentários para mim - na mesa defronte do sofá, folhas que lhe mandam pela internet, mas essas são para rir e, calhando, rir até dias seguidos sempre que me lembrem. Para rir não foi o titulo a letras grandes do Jornal de Noticias, em véspera de festejo de fim de ano. Pensando bem: deu para uma boa galhofa para quem aprecia o humor-negro, particularidade na qual me incluo, já que sou fã de todo o tipo de humor. Reparem só. Em letras garrafais: Quinta-feira, 30/12/2010 - Edição fechada às 23,15. “Estamos mais velhos, com emprego em baixa, com mais imigrantes, com natalidade a descer, a diminuir o abandono escolar, a aumentar os diplomados do superior, a pagar mais, a poupar menos, mais endividados, mais consumistas, a sofrer mais crimes contra pessoas e à espera de 2040 para ficarmos mais novos”. Como dizia Mark Twain, cujo centenário da morte acaba de se assinalar, “a humanidade não foi feita para nenhum objectivo útil, visto que ainda não serviu nenhum”… Pensando bem: um mundo em que uma cantora pop chamada Lady Gaga ou Gágá (não sei como se pronuncia mas o efeito é o mesmo) cuja “vera efigie” tenho gosto de reproduzir, é considerada grande vulto do ano que passou e do que nos está de fronte, estamos conversados.
PS: A seguir a jornais e revistas, também os rodapés televisivos estrearam a nova ortografia, o que me tira metade do gosto na leitura. Peço desculpa pelo repetir do que já aqui tinha comunicado: não a adopto. Se calhar acontecer, é pura distracção.   


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