INACREDITÁVEL, MAS VERDADEIRO!
Acusaram-nos há dias de valorizarmos, excessivamente, a remodelação dos serviços na Câmara Municipal de Águeda. Pela estranheza da observação e também pela desconfiança que ela encerra - de que estejamos ao serviço de ou com alguma pretensão política - confessamos ter ficado tão estupefactos quanto preocupados e sem saber muito bem o que responder. Titubeámos com algum enfado, reconheça-se, na tentativa de justificar as razões do nosso apreço a uma boa organização, quando ela é feita com a intenção de reduzir os gastos em tempo e dinheiro ao contribuinte obrigado a recorrer, frequentemente, aos serviços públicos. Abreviar as soluções e simplificar os métodos, sem reduzir a eficiência, alivia o stress do munícipe, sendo já motivo suficiente para que o valorizemos! Sendo certo que as nossas palavras não foram muito convincentes, e nem no momento isso nos incomodou muito, porque sabemos que os nossos críticos interlocutores são, politicamente, opositores do actual elenco camarário. Logo, a postura de alguns desses narcisistas não é a de quem vê o poder como um serviço a prestar ao cidadão mas como numa miragem obsessiva de um poder que lhe encha o egocentrismo que cultivam e, para lá chegar, vale tudo. Felizmente, há excepções e isso dá-nos alguma tranquilidade mas, apesar disso, o assunto continuava a fervilhar no nosso subconsciente até que perguntámos a nós próprios se o elogio que tínhamos feito à simplificação dos serviços camarários seria justo ou se, pelo contrário, tinha extravasado para lá do limite razoável, o que nos levou a reler o texto e rebuscar as razões da nossa opinião favorável às mudanças. E, ao fazermos um exaustivo exame de consciência (será que, tal como nos acusam, estaremos a ficar dependentes de alguma facção política?), encontrámos razões mais que suficientes para justificar tudo o que dissemos e que se traduz no nosso agrado pela reorganização dos serviços públicos, sempre que eles ponham na primeira linha das suas preocupações facilitar a vidas das populações! Só depois desta conclusão nos libertámos do fantasma que pesava sobre nós e que nos rotulava de seguidismo e submissão ao poder o que para nós foi um duro teste, mas serviu para ficarmos mais conscientes de que, sem deixar de reconhecer as boas práticas, continuaremos a ser rebeldes, como dizem, muito mais propensos à denúncia de erros, desleixos, incompetências e burocracias que afectam a nossa sociedade e menos subjugados a qualquer poder instalado. De facto, nós sempre tivemos alguma relutância em relação às façanhas do poder com que tentam, às vezes, adormecer-nos, mas uma diminuição na burocracia que emperra, corrompe e dificulta a vida do cidadão, merece o aplauso de todos, à excepção daqueles que vivem embrenhados e à conta delas, burocracias, ou quem nunca calcorreou Ministérios, Secretarias e outros serviços públicos, à cata, às vezes, de uma simples assinatura, insignificante para o “chefão”, mas muito importante para o cidadão. Só esses e mais alguns frustrados, intrépidos e pretensiosos que se juntam a uns quantos obstinados politiqueiros, poderiam imaginar-nos mais bajuladores que pragmáticos, mais apoiantes que críticos, mais simpáticos que justos. E, é disso que se trata! Fazer justiça ao que está bem, para ter o direito (?) de criticar o que está mal! Infelizmente, ou talvez não, as tormentas porque já passámos, de tão penosas que têm sido, fizeram-nos já muitos cabelos brancos e deram-nos experiência bastante para podermos dizer que, quando tomamos uma posição, de apoio ou de critica, é porque já muitas vezes sentimos, no corpo e na alma, as consequências das burocracias instaladas no nosso país durante decénios, burocracias que são o principal factor de atraso em que nos encontramos. Ora vejamos: uma das empresas que dirigimos necessita, frequentemente, de fazer testes aos seus produtos, para que sejam homologados e permitida a sua aplicação nos veículos fabricados e a rolar em todo o mundo. Os custos do desenvolvimento de um dispositivo luminoso, é disso que falamos, desde o início do projecto até à fase da produção, atinge, por vezes, as centenas de milhares de euros, a que teremos que juntar mais algumas dezenas de milhares para ensaios em laboratórios acreditados e, só depois de todos os testes o organismo competente, no caso português a ex-DGV, certifica e fornece o número que há-de ser gravado na peça, como garantia oficial da sua conformidade. Como bem se percebe, um dia de atraso é um custo em dinheiro e tempo, na vida de uma empresa ou de um cidadão e, consequentemente, um prejuízo para quem faz contas ao tempo. Sem entrarmos em pormenores, que seriam fastidiosos para o comum dos leitores, fazemos apenas eco do essencial para dizermos que a ex-DGV, Direcção Geral de Viação, depois de todos os ensaios oficiais feitos no LNEC, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, chegou a demorar treze meses para uma simples assinatura no certificado, sem o qual não pode haver comercialização legal. Pelos prejuízos causados por tanta demora, fomos forçados atentar fazer a legalização dos produtos fora do nosso país, com base nos acordos da EU, e ficámos banzados com o serviço que nos prestaram: o que em Portugal demorava 13 meses, num outro país da Europa foi resolvido em 24 horas. Inacreditável, não é? Hoje, gastamos muitos milhares do contos por ano em certificações que vão para os cofres de Paris, Madrid, Berlim ou Luxemburgo e é por estas e por outras que nós, portugueses, só não somos os últimos dos últimos em tudo, porque em burocracia e desmazelo, desleixe e falta de rigor, somos os primeiros dos primeiros! Compreendo os que, em nome de um patriotismo “besta”, queiram fechar os olhos e ignorar estas realidades. Porém, nós, por tudo o que já passámos, continuaremos a valorizar as remodelações assentes na responsabilidade de todos e na simplificação dos serviços públicos, a começar pelos mais próximos do cidadão.
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