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Entrevista: AdRA presta contas

por Redacção Soberania em Março 23,2011

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Manuel Fernandes Thomaz, presidente executivo do conselho de administração das Águas da Região de Aveiro (AdRA), concedeu longa entrevista a SP, não se escusando a abordar os casos mais contestados dos primeiros dez meses de actividade da empresa. A AdRA gere e explora, em regime de parceria, os sistemas municipais de abastecimento de água e de saneamento dos municípios de Águeda, Albergaria, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos.  

SP: A AdRA assumiu, ainda não fez um ano, o abastecimento de água e saneamento a vários municípios do distrito. Qual é o balanço?
MFT: Acho que é muito positivo. Em muito pouco tempo, já se conseguiu fazer a passagem dos serviços de dez municípios para uma única entidade e isto, como calculará, é uma tarefa, digamos, titânica, na medida em que estamos a falar de dez culturas de funcionamento completamente diferentes, que passaram a funcionar numa só organização.
SP: Refere-se à facturação...
MFT: Sim, cada município tinha os seus sistemas, os seus procedimentos, que hoje funcionam todos numa unidade. E houve a integração do pessoal! Como é sabido, todos os funcionários dos serviços municipais afectos à água e saneamento, que quisessem transitar para a AdRA podiam-no fazer e nós recebemos muitas dezenas, senão centenas, de trabalhadores dos vários serviços, com as suas formas de trabalhar, os seus métodos, os seus procedimentos, que hoje funcionam numa única entidade.
SP: E que mais?
MFT: Temos a uniformização dos tarifários, que era crítica e essencial para o funcionamento do serviço. Era necessário fazer uma coisa que há muito tempo se vinha a falar na região, a uniformização das tarifas em todos os municípios. Demos início a esse trabalho num contexto social e político nacional e financeiro muito complicado, mas a sustentabilidade dos serviços de água e saneamento estavam claramente em causa e, não tendo os municípios avançado com esse processo, há uns anos, coube à AdRA, por acordo deles, que são parceiros fundamentais na empresa, dar início ao processo de convergência tarifária.
SP: Admite alguns problemas, nestes primeiros dez meses?
MFT: Eu não admito! Eu constato! Sabíamos que seria um processo muito complicado e que íamos ter problemas. A nossa estratégia, nestes primeiros meses, foi tentar minimizar o dano. Desde logo, tínhamos a certeza que, ao fazermos a integração das bases de dados dos clientes dos vários municípios, numa única, seria tarefa muito complexa. Não só porque estamos a falar de sistemas informáticos completamente diferentes, como algumas bases de dados tinham muitíssima pouca qualidade.
SP: O que originou situações complicadas com os clientes...
MFT: Tem dado origem a alguma perturbação, que é completamente compreensível do lado dos clientes - eu, como cliente, também o senti, porque tenho a minha residência em Aveiro -, que estavam habituados a receber as facturas com uma determinada periodicidade e isso foi claramente perturbado, embora os tivéssemos informado, através dos mecanismos mais adequados.
SP: Quando é que pensa ter a situação normalizada?
MFT: A nossa expectativa é que seja até ao final deste primeiro semestre. A partir daí, sim, poderemos normalizar essa relação (facturação) com os nossos clientes.
SP: Os municípios já estão a ser facturados por um só sistema, com tarifários... diferentes. É assim?
MFT: Temos os dez municípios facturados através de um único sistema, mas falamos de dez tarifas diferentes. Ou seja, o nosso sistema tem, ainda, que enviar facturas com dez tarifários diferentes para cada um dos municípios. Mas isso é uma matéria que saberemos fazer bem. VER EDIÇÃO SP IMPRESSA


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