Politicos
“Eu não sou como os políticos! O que prometo, cumpro!” Ouvi esta afirmação num quiosque da boca duma mulher comum, de meia-idade, que falava com uma cliente. Sorri para mim. Aquela cidadã, para confortar a sua atitude de quem prometeu e cumpriu, portanto deixando muito claro que não era uma ‘troca-tintas’, usou a comparação mais simples que lhe veio à cabeça, nomeando o que para ela é o símbolo acabado dos melhores charlatães: a palavra dos políticos! A classe política devia fazer alguma coisa por si própria. Talvez o país e a Eurolândia fizessem bem em investir na formação dos nossos políticos, para que se revejam nas atitudes que têm e que são responsáveis pela imagem de descrédito que colhem dos cidadãos em geral. Seria um óptimo investimento e estava longe de ser uma perda de tempo, porque a opinião geral é a de que nos enterrámos e não saímos do lodo em que estamos, porque não temos políticos à altura para nos governar e estão no Poder para ‘se governarem!’ Sou dos que acreditam, convictamente, que esses são as excepções. Mas, como dizia a um governante amigo, de quem não duvido da competência e seriedade, “não roubas, mas para o povo comum, se estás no Poder, ‘orientas-te pela certa!’ ” “Um fraco Rei faz fraca a forte gente”, escreveu há mais de meio século o nosso Luis de Camões. E, muitos séculos antes, o Cônsul romano que governava a Península Ibérica dizia em Roma a César: “Há um povo, lá para o lado do mar, que não deixa que o governem, nem se sabe governar”. É da casta destes que somos oriundos. Triste Fado o nosso!? n EC
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