A nossa sina
Durão Barroso disse-o, sem papas na língua: a Alemanha não está empenhada nos interesses da Europa, mas nos seus! Dias depois, os países da Eurolândia decidiam aumentar o fundo de socorro aos países do euro em dificuldades. Portugal tem assim uma solução para as dificuldades do seu financiamento. Claro que não há jantares de borla. Em contrapartida, por proposta dos ricos, que são quem paga a crise, os líderes decidiram que vão passar a controlar os orçamentos dos países em dificuldades ou com défices excessivos. Na prática, quem passa a decidir o ‘nosso’ Orçamento, ou melhor, o orçamento do (ainda) nosso Estado, são estados como a Alemanha. O restante discurso são as flores que se devem pôr a esconder os espinhos… É bom? É mau?! Gostava de ter a certeza que será mau para nós pagar essa factura. Não tenho a certeza. Levamos 25 anos de fartura de dinheiro da Eurolândia e estamos na bancarrota! Se considerarmos o país como uma empresa da qual somos accionistas, se os gestores portugueses não se mostrassem à altura, provavelmente não hesitaríamos em contratar pragmáticos gestores alemães! Ao fim de quase dois milénios, a história vai agora repetir-se: no fundo, os líderes da Eurolândia estão a pensar o mesmo que o Cônsul romano, que governava a Península Ibérica, disse a César: “Há um povo, para os lados do mar, que não se sabe governar, nem deixa que o governem…”. Triste sina?! Sim, mas é a nossa! n EC
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