ÁGUEDA, MAIS UMA VEZ, DERROTADA!
Ao tempo, o governo central era PSD e Águeda era governada pela mesma cor partidária, mas nem isso evitou que o centro rodoviário fosse instalado em Albergaria, município CDS, em detrimento de Águeda. Pesou na decisão o facto de Albergaria ter mais proximidade com o eixo rodoviário norte/sul, nascente/poente e a explicação é razoável mas, nestas coisas, o peso e a acção dos político são argumentos bem mais fortes que a razão, na hora da decisão: Lembro, por exemplo, que se o caminho-de-ferro Lisboa/Porto passa, hoje, por Aveiro é porque um homem, José Estêvão, exerceu a sua influência até ao limite, para desviar os trilhos do comboio, cujo traçado inicial passava por Águeda. Esta Águeda esquecida e cada vez mais longe do poder central, cujas ligações à capital do distrito, Aveiro, são caminhos feitos pelos nossos tetravós, óptimos para o trânsito dos pachorrentos carros de bois da época, mas pouco ou nada apropriados aos transportes e à pressão do trânsito de hoje, muito menos ao modo de vida do século XXI. Esta Águeda sem ligações à rede de auto-estradas do país, prejudicando o seu desenvolvimento industrial, um desenvolvimento só possível pela teimosia empreendedora dos aguedenses, à custa de muito sacrifício dos agentes económicos e que, sentimos, começa a agonizar, por falta de zonas industriais que atraiam outras mentalidades e a apetência de novos investidores, por falta de infra-estruturas adequadas, por falta de uma verdadeira política de desenvolvimento que acompanhe o progresso de um País que se quer moderno. Águeda tem muito pouco e, esse pouco, deve-o à iniciativa privada das suas gentes e não ao poder político, muito menos aos sucessivos governos do país, que só cá vêm sugar os impostos, sem trazerem nada em troca, a não ser discursos, sorrisos e promessas falhadas. Esta Águeda marginalizada, abandonada e esquecida, sem que se vislumbrem perspectivas de melhorias a curto ou médio prazo. Só os que querem continuar cegos, não vêm isso! Não é de hoje o ostracismo a que os sucessivos governos têm votado o nosso concelho. É já crónico e o resultado de adormecermos à sombra dos louros. E Águeda, quando acordar, estará depenada! Há anos, aquando da atribuição do tribunal de círculo, os advogados da nossa praça bem queriam que essa estrutura ficasse portas adentro, mas ela foi parar a Anadia, com a justificação de que o tribunal de Águeda não tinha condições. Não tinha, não tem e nunca terá se dermos demasiada importância às coisas fúteis, cantando e rindo e descurando o que é essencial, porque a vida é muito mais que lirismo, poesia e sonhos! Sem peso político e muito distraídos com banalidades estamo-nos a afundar e a perder o comboio do progresso porque, mesmo quando a autarquia veste a mesma cor que o governo, Águeda não beneficia de coisa nenhuma. Reconheçamos as nossas culpas! Reconheçamos que nos perdemos demasiado com coisas menores - se é largo do Botaréu ou 1º. de Maio, se a rua fica fechada ou aberta e, entretanto, os grandes temas, os que envolvem decisões importantes, esses ficam na gaveta ou passam ao lado da discussão, sem protesto nem solução. É o que acontece, há anos, em relação ao tribunal! Vem um ministro e promete um edifício novo, muda o ministro e quem o substitui promete a ampliação do velhinho, um legado da ditadura. Mais uma visita oficial, mais uma promessa, mais uma festa do leitão e aí…, promete-se tudo: via rápida, metro de superfície Águeda/Aveiro, ligação à auto-estrada, um novo hospital! Fazem-nos promessas em maré eleitoral para captarem os nossos votos, mas não passa disso. E se for maré de cheias prometem-nos até barragens para controlar o rio, mas na medida em que as águas correm para o mar, as promessas, todas as promessas, correm para o esquecimento e nós esquecemos também, sem discussão pública, sem manifestações e sem protestos, ao contrário do que se faz nos concelhos vizinhos, quando os políticos não cumprem as promessas. Não gostamos de arruaçadas, mas alinharíamos no protesto porque já percebermos que, neste país, quem não chora, não mama. A última derrota é um escândalo que, decerto, tirou o sono aos nossos autarcas, apunhalados pelas costas. Dizia-se à boca cheia, e a autarquia confirmava, mas eis que, no último minuto, numa cambalhota nunca vista, o governo entrega a Anadia o Juízo de Grande Instância Cível, destinado a Águeda, em primeira escolha. Anadia, que tem metade da população de Águeda e menos de metade da área geográfica deste concelho. Repetiram em Águeda o que tinham feito na Ota! Diz-se que foi para calar os protestos de Anadia pelo fecho das urgências! Ou será o custo que o presidente do Município de Águeda está a pagar pela ousadia de ter apoiado Manuel Alegre na campanha presidencial? Não temos nada contra Anadia e felicitamos, até, as suas laboriosas gentes, por demonstrarem que, mesmo sendo eleitos pela oposição ao governo central, levam a melhor sobre Águeda - que veste a cor do regime. Isto porque Anadia assenta arraiais em Lisboa e protesta, sai à rua e grita, movimenta-se e faz o que for necessário e vence! Águeda fica a aquecer os pés ao lume, muito bem comportadinha, não protesta nem reivindica e vai perdendo o resto do protagonismos que já teve. E, neste andar, tendo em conta o desrespeito e o desprezo a que Águeda está votada, um dia destes perdemos também o estatuto hospitalar e passamos a ter uma unidade de primeiros socorros, com valência para aplicar mercurocromo e umas compressas e a justificação vai ser a de que não temos hospital para mais. Pudera…, estamos a usar uma estrutura com cem anos e oferecida por um português de sangue azul…! O nosso concelho está na senda das derrotas e do abandono e, sem uma tomada de posição forte com um estrondo audível em Lisboa, não nos parece que as coisas mudem ou sequer que este mandato autárquico tenha condições de continuidade sem constrangimentos para quem, todos os dias, tem que lidar com as populações e dar respostas às promessas eleitorais. Não nos admira, por isso, que venhamos a assistir a alguma tomada de posição expressiva do sentimento de revolta que Águeda vive. Para quem não tolera traições, a demissão em bloco e universal de todos os órgãos autárquicos do concelho, independentemente, da sua cor partidária, era o mínimo e a resposta adequada: - Mas nós estamos muito acomodados! Esperamos entretanto pelo próximo capítulo desta teia com que o governo nos está a… tecer. n a.a.silva 2008-03-26
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