Acessibilidades: que estratégias para o concelho de Águeda?!
Quando celebrou 5 anos e três dias de mandato à frente dos destinos da Câmara Municipal de Águeda, o presidente da edilidade declarou, numa Assembleia Municipal, que o executivo teria como lema “Menos estradas e mais aposta nos recursos endógenos” (economia, ambiente, turismo, cultura, educação, desporto), com execpção da ligação Águeda-Aveiro que deveria continuar a ser uma prioridade. A edição de 31 de Março de 2011, SP lembrava que a “Ligação da via rápida a Aveiro continua na gaveta…”, apesar de anunciada há 3 anos, com pompa e circunstância e com direito a placa simbólica numa rotunda no Raso de Paredes, pelo então Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações Mário Lino, e pelo seu Secretário de Estado Adjunto Paulo Campos. Eu até diria que tal ligação parece que “jamais” irá avante, porquanto eu próprio, enquanto presidente da Assembleia Municipal, questionei publicamente, o então Ministro Mário Lino, que me garantiu a certeza da ligação rodoviária a Aveiro, para posteriormente, não responder a requerimento sobre a matéria apresentado por mim, no parlamento. Para além de um estudo de impacto ambiental, nada mais se concretizou. A provável integração na concessão das Auto-Estradas do Centro, de um lanço de 14 quilómetros de extensão, em pefil de auto-estrada, para ligar Águeda-Aveiro no pacote das SCUTS, com eventual ligação à A1, em Eirol está, por isso, adiada sine die ,face à insolvência do país intervencionado agora pelo FEEF da União Europeia com apoio do FMI.
Plano Estratégico
Revisito o plano estratégico de 2001 e encontro no capítulo das “Acessibilidades”, para além da almejada ligação a Aveiro, a identificação de problemas penalizadores para Águeda que perduram no tempo, sem solução à vista, quer no plano supra-concelhio, como a dificil ligação à auto-estrada por Oiã e por Albergaria, e a dificil e penosa ligação a Coimbra (com o novo IC2, entre Coimbra e Oliveira de Azeméis também na gaveta), quer no plano interno, com problemas nas ligações intra e inter-freguesias, ou entre lugares da mesma freguesia, nomeadamente nas serranas. Entretanto, olho para o arraial político em que o país está transformado, após a demissão de Sócrates e a sua auto-vitimização por causa da crise politica e da ajuda externa e questiono-me: será que vamos esperar mais 20 anos para termos uma ligação rodoviária a Aveiro, que é um eixo fundamental para o desenvolvimento económico do concelho?
Acessos ao Parque Empresarial do Casarão
Cumpre então questionar: Que adianta projectar parques industriais sem acessibilidades supra e intra concelhias garantidas, para potenciar o seu crescimento? Aliás, o plano de 2001 previa a criação de uma zona industrial a norte do concelho, mais própriamente no Moutedo que, nas freguesias de Macinhata e Valongo do Vouga, fosse servida com um novo acesso ao IP5 (Aveiro-Viseu-Vilar Formoso). Alguém trabalhou sobre essa possibilidade? Que tem feito o actual executivo municipal para garantir acessibilidades ao Parque Empresarial do Casarão, com impacto na ligação ao sul do concelho? Chegou a falar-se em 2001 na eventual abertura de um novo nó na A1, entre o de Aveiro-Sul e o da Mealhada para servir o sul do concelho, envolvendo eventualmente uma parceria com o concelho de Anadia. Alguém pensou nessa possibilidade? Que adianta ter projectos para o desenvolvimento de parques empresariais, do turismo, da sustentabilidade ambiental e da ligação universidade-empresas, sem garantir acessibilidades que permitam uma mobilidade eficaz dos cidadãos e dos agentes económicos?
Metro de Superfície
Chegou a falar-se, em 2001, na extensão de uma linha do chamado metro de superfície ao centro de Aveiro, à Universidade e depois, eventualmente, à cidade de Ílhavo e às praias, como palaforma para uma rede de transportes interurbanos da região de Aveiro. Alguém deu sequência a tal projecto? Em suma, que adianta apostar nos recursos endógenos, sem a alavancagem necessária que só as boas acessibilidades garantem? *Advogado e membro da Assembleia Municipal
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