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10 anos de Plano Estratégico

por PAULO MATOS (dr.) em Maro 16,2011

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Há precisamente 10 anos, em Fevereiro de 2001, perguntava-se no Plano Estratégico do Concelho de Águeda: “Que Águeda queremos em 2020”?
O diagnóstico prospectivo assentava, então, numa visão do futuro do Concelho num horizonte temporal de 20 anos, em torno de três vectores essenciais: “Águeda como concelho e cidade atractiva; Águeda dotada de uma economia pujante e qualificada; Águeda possuidora de um forte sentido de identidade”.
Em torno destes três vectores, elencaram-se, então, nove grandes questões, a partir das quais se identificaram os problemas, as oportunidades e as estratégias de qualificação do desenvolvimento de Águeda.

5  anos de Câmara do PS

As acessibilidades, a cidade atractiva, a indústria como vector de afirmação do concelho, a floresta e a zona serrana, a valorização do património natural e histórico, a qualificação das freguesias, o desenvolvimento sustentável, as questões sociais e o reforço do capital relacional, constituem a base do documento estratégico em que hoje parecem assentar as políticas públicas locais.
É por isso útil debater Águeda a partir deste estudo, sem o anátema da partidarite que procura “bandeiras”, mas com os olhos críticos de quem pefere “desígnios” para o desenvolvimento da cidade e do concelho.
A verdade é que, em 10 anos de Plano Estratégico, 5 deles são já da responsabilidade do actual poder municipal que, com defeitos e virtudes, mais não tem feito do que a sua obrigação em dar continuidade aos objectivos estratégicos já definidos em 2001.
Tal aposta parece visível nos projectos em curso de requalificação urbana (em particular, da zona da baixa da cidade) e de implementação do Parque Empresarial do Casarão, assentes em iniciativas como a criação da RIC (Rede para a Inovação e Competitividade) e a Agenda 21 Local centrada no Rio Águeda e nas fileiras da qualificação ambiental e da tão propalada “sustentabilidade”.
Não há, por isso, novidade nestas opções estratégicas, que já foram anunciadas e previstas no Plano em 2001.
Questão distinta é saber se tais opções estão a ser implementadas da melhor forma e se, com elas, a filosofia subjacente ao Plano Estratégico está, ou não, a ser cumprida? Este é, hoje, o debate relevante.
Que a cidade precisa de ser atractiva para captar população jovem e qualificada, é inquestionável. E que o “poder atractivo da cidade tem desde sempre no Rio Águeda e na zona da baixa da cidade duas condicionantes cuja qualificação local e funcional assumem particular relevância”, é um adquirido também, desde as conclusões do plano de 2001.
Que a economia do concelho tem na indústria o seu vector de afirmação externa e que “a inexistência de zonas industriais devidamente infraestruturadas e com lotes de terreno a preços acessíveis” era apontado já em 2001 como factor impeditivo de uma maior dinâmica industrial do concelho, é também um dado que não se pode escamotear.
Não está, por isso, em causa a boa fé da Câmara na requalificação urbana da baixa da cidade e na projecção do Parque Empresarial do Casarão.
O que se pode questionar é a falta de  uma visão de conjunto do desenvolvimento do concelho, com intervenções pontuais e particularistas para aproveitar fundos comunitários, ainda que outras prioridades, como a intervenção na zona serrana e a qualificação das freguesias, fiquem para segundo plano.

Ideias para Águeda

A ideia de que, para se conseguir uma cidade atractiva e um concelho dotado de uma economia qualificada,   basta que se mude o solo e o mobiliário urbano da baixa e se comprem uns hectares de terreno para que as indústrias venham para Águeda, pode
captar votos, mas não assenta numa visão global para o concelho. Que cidade queremos? Que indústria queremos? Que zona serrana queremos? Que freguesias queremos? Que identidade queremos para o concelho?
A desqualificação arquitéctónica da baixa da cidade, a escassez de espaços verdes, o definhamento da actividade
comercial, já eram problemas detectados em 2001.
Uma questão: a intervenção actual na baixa resolverá este problema, sem uma política municipal de apoio ao comércio (por exemplo, isentar os comerciantes do pagamento de taxas pela colocação de reclamos publicitários), de dinamização cultural e desportiva e de forte penalização dos proprietários que lá mantêm edifícios degradados?
Uma ideia: porque não se aproveitou a intervenção na baixa para, junto às margens do rio, desde o Instituto da Vinha e do Vinho até à zona desportiva do Estádio Municipal, investir a sério numa verdadeira pista ciclável que, obviamente, nessa zona de lazer e recreio faria muito mais sentido do que as ridículas pistas que hoje poluem as estradas quase intransitáveis da zona alta da cidade?
Não refere o Plano Estratégico, desde 2001, que “a intervenção na baixa deve ter um valor simbólico forte, que passa pela requalificação das actividades desportivas e de lazer, ligadas à natureza, em que assume particular destaque a produção de bicicletas como fileira importante do perfil produtivo do concelho”?
Por este andar, chegaremos a 2020 e nem a natureza será pródiga, nem a cidade será atractiva, nem a economia do concelho será próspera.
n PAULO MATOS
* Advogado e membro da
Assembleia Municipal de Águeda

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