REQUALIFICAR A CIDADE, REQUALIFICAR A POLÍTICA
Religião à parte, Águeda já tem o seu muro das lamentações. Uma cheia de inverno mais rigorosa, há dois anos, fez ceder a margem esquerda do rio na Praça 1º. de Maio, entretanto e provisóriamente concertada com estacas de eucalipto. Bem conhecidas do povo de Águeda - e com marcas ruinosas para o comércio da baixa da cidade - sempre que isso acontece, o governo de Lisboa tem a abrir os noticiários do país o rio Águeda, as preocupações dos autarcas locais, os lamentos das populações e a necessidade do Estado Central fazer as obras de regularização do rio, há anos estudadas no plano da bacia hodrográfica do rio Vouga e lá identificadas como “projectos de dimensão nacional”. Projectos que passam pela construção da barragem da Redonda (em Castanheira do Vouga) e execução de obras complementares em todo o percurso do rio, que dignifiquem o que já existe e optimizem a potencialidade dos seus recursos. Ora, estas obras precisam do orçamento do Estado, do peso político dos autarcas e dos amigos de Águeda que, em Lisboa, tenham influência na distribuição das verbas públicas. A recente visita de um membro de governo, com um cheque de 250 mil euros para a construção do muro do rio representou, dois anos depois, “um atirar de areia” aos olhos dos aguedenses, a inocência e fragilidade dos textos programáticos da Câmara nos planos de actividade de 2007 e 2008 e cortam, pela raíz, o fio umbilical a qualquer politíca séria de requalificação da baixa da cidade, aonde se inclui a Praça 1º. de Maio, e em que o modo como o rio se porta é determinante. E o problema é que estas visitas políticas são assim dispersas, de saldo, e não jogam num puzzle político de fundo, com princípio, meio e fim. Torna-se, assim, necessário requalificar esta política autárquica: no discurso, no rasgar das prioridades, na eficácia na solução dos problemas da cidade e do município. Porque é uma pena que, com a bondade do rio e o vento de feição, a vela não suba o mastro da política. E o barco, assim, não levanta ferro do cais das laranjeiras. E agora, Beatriz?
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