Regenerar a serra de Águeda
Quando naquela noite, na Escola Primária do Professor Figueiras, algumas dezenas de produtores florestais de Belazaima do Chão decidiram criar a Associação de Protecção Civil de Belazaima, estavam a dar mais um passo na defesa da serra, na protecção dos seus recursos e abrindo o caminho de uma estratégia para a sua própria sustentabilidade, de que tanto hoje se fala, mas que a política nem sempre tem sabido acompanhar, como podia e devia. Toda a serra de Águeda percebeu que esse era o caminho a seguir: organizar e estruturar as forças capazes de enfrentar os incêndios, prevenir a catástrofe e alicerçar a paz, todo o ano, para a imensa mancha florestal do concelho de Águeda. E se hoje a semente dessa pioneira organização de Belazaima se alargou a toda a serra, nem sempre a política autárquica da cidade tem sabido acompanhá-la, na procura e canalização de recursos comunitários e na tão urgente e necessária elaboração de um plano estratégico para a serra de Águeda, que afirmasse a sua verdadeira importância económica e a projectasse como uma marca e expressão dessa riqueza natural, que vale a pena proteger e cuidar, todo o ano e não só quando o sino toca a rebate ou a sirene dos Bombeiros anuncia a desgraça. Dizem os autarcas da serra que não há verbas para abrir estradões, melhorar acessos, criar novos pontos de água. Mas se a desertificação da serra é uma realidade que entra, olhos dentro a quem a visita, não são conhecidas iniciativas de política camarária na implementação de programas de turismo, à semelhança do que se faz em outras paragens, utilizando equipamentos já existentes, dinamizando e beneficiando a vida dos seus habitantes e chamando a atenção de que a serra está mesmo aqui, ao nosso lado e á espera de uma visita. Valeria a pena assim que a política concelhia, fora dos meros interesses de propaganda eleitoral, regenerasse a protecção da serra de Águeda, traçasse os caminhos para a sua efectiva sustentabilidade, quantificasse os recursos financeiros necessários à sua execução e elaborasse uma proposta a entregar ao Governo de Lisboa. A Europa não ficaria atrás, há verbas ainda no QREN disponíveis, e talvez não fosse preciso mais andar a “mendigar”, anos a fio, a limpeza das valetas ou a discutir o preço de vinte e cinco metros de tubo para ligar à torneira da boca de incêndio. Ama a serra, Beatriz. Lá está a nossa cidade. n JNS
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