O combate da água Belazaima
Toca o sino em Belazaima: o Verão é quente, mas a torre da Igreja é alta e o alarme chega longe. Há fogo na serra, a floresta está a arder! Acorre o povo à velha fonte da Escola Primária do Professor Figueira: cântaros, bidões, camionetas dos homens da serra, pioneiros no desbravar das encostas e na plantação da sua nova mancha verde. Juntam-se todos, novos e velhos. Carregados de água partem serra adentro, lá, onde é preciso enfrentar o inferno das chamas. De Águeda chegam os Bombeiros: esforçados na ajuda, solidários na desgraça, amigos de sempre. Fogo e contra fogo, o combate começa - sem tréguas ou descanso e até ao fim. Vigilância de noite e no dia seguinte - num alerta total, a pé firme, sem esmorecimento. Ano após ano, Belazaima não tem férias: a sua Associação de Protecção Civil está vigilante, os carros prevenidos com água, o socorro está sempre pronto a partir. Mas se a água é o elemento mais necessário no combate aos incêndios, é também um bem essencial ao dia a dia da sua população, um direito universal, condição humana de vida e sinal de uma política adulta quando sabe respeitar os seus cidadãos. Belazaima do Chão não tem tido sorte. Trinta e seis anos depois do 25 de Abril, e apesar dos milhões e milhões de euros que a Europa destinou para água ao domicílio, o combate para que tal aconteça, em Belazaima, ainda não chegou ao fim. Passaram Câmaras, Juntas de Freguesia, montaram-se e desmontaram-se palanques em campanhas eleitorais. “Quando a política é coxa até as rãs não sabem nadar”. Este velho provérbio chinês quer dizer que a água se procura na nascente, se constrói lá a sua captação e se conduz até onde ela faz falta: ao lar das pessoas e aos fontanários públicos. Na célebre Assembleia Municipal de Águeda, em Julho de 2009, a política de Águeda capitulou, reconhecendo a sua incapacidade para enfrentar o problema do abastecimento de água e saneamento do concelho, tendo, com os votos favoráveis do PS e a abstenção do PSD, entregue essa tarefa e responsabilidade à AdRA (Águas da Região de Aveiro). Na penúltima semana, a administração da AdRA, dando provas de que “ a empresa tem que estar próxima do utilizador/consumidor”, esteve com o drama da água de Belazaima entre mãos, dando a sua PALAVRA de que o iria solucionar, desde já e em definitivo. Oxalá esse compromisso se cumpra e o Povo de Belazaima fique mais livre para os combates que não cabe à política resolver. Vamos acreditar, Beatriz! n JNS
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