Aldeias da serra de Águeda
As velhinhas aldeias da serra de Águeda estão em ruínas: a velha politica abandonou-as á sua sorte e a desertificação, hoje, é uma realidade que importa combater. Pioneira na plantação da imensa mancha florestal de Águeda, que abrange as freguesias de Agadão, Belazaima do Chão, Castanheira do Vouga, Macieira de Alcôba e Préstimo, as suas populações saíram e procuraram novos destinos e melhores condições de vida, na então indústria florescente dos centros urbanos e na emigração para países por esse mundo fora. Mudam-se os tempos, a história avança, esfuma-se o mito da cidade, o meio ambiente regressa ás preocupações do quotidiano e o património começa a fazer parte das opções e caminhos a seguir. A nova política e as novas gerações querem assim redescobrir valores antigos, andar de novo pelas veredas e regressar ás raízes do outro tempo.Na pedra do velho casario, disperso por essa serra fora, tem Águeda uma história para aprender. É uma história que está aqui mesmo ao lado, á mão de semear, e que é preciso contar, visitando-a e reerguendo-a, levar até ela a Escola e a Juventude, dar-lhe de novo a vida e a dignidade perdidas. A Europa há muito compreendeu o valor do património, lançando politicas de apoio á sua preservação, no respeito pelo cordão umbilical que todos merecemos e deveremos ter. Desde um de Janeiro de 2007 o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) aprecia e apoia a concretização de projectos nesta área, lançando de modo consequente as bases de politicas de sustentabilidade, numa afirmação de que o mapa demográfico não condiciona a sua politica de financiamento. Não são conhecidos projectos com expressão para a serra de Águeda, a merecer a atenção da Câmara e no âmbito do QREN. Neste início de vida da nova Assembleia Municipal aqui fica a proposta: que seja analisado o estado em que se encontra, os projectos que para ela o município tem em curso e o que será preciso fazer, para recuperar tempo perdido e antes que seja tarde demais. A serra merece mais do que quinze minutos. E é em campo aberto e fora do tempo eleitoral que as grandes faces da vida concelhia devem começar a merecer a atenção dos munícipes eleitos. Só assim a Democracia cria raízes e a história testemunhará que valeu a pena. Não é, Beatriz? n JNS
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