CLUBE DA VENDA NOVA: TEMOS DE CRIAR UMA FORÇA DE SEGURANÇA, ARMADA ATÉ AOS DENTES!
Fermentelos está em polvorosa. Sucedem-se os roubos grandes e formigueiros. Até têm medo que lhes levem a ceifeira e não há quem corte os jacintos. É preciso apanhar os ladrões ou, ao menos, assustá-los. E, para isso, é preciso criar uma força de intervenção forte, que amedronte, que tenha efeito dissuasor. Artur Carvalhoso, pimpão a quem as rugas trouxeram clarividência e sagacidade, fechou-se em retiro durante alguns dias, a traçar planos estratégicos de defesa dessa praga, e revelou-os aos seus concidadãos em reunião que convocou para o efeito. Falou e concluiu: “Depois de muito reflectir sobre as estratégias a seguir contra esta desgraça que nos avassala - vejam bem que ainda esta noite roubaram uma roda de três raios do carro de bois do João Manso!!! - parece-me que temos que criar uma força de segurança, armada até aos dentes e com um nome impactante!!!...”. “Tem razão - concordou o Amílcar Granizo - isto é um caos e faz perigar a independência da nossa terra. A continuar assim, toda a gente vai fugir para Perrães. Por isso, eu sugiro que seja reestruturado o ELF - Exército de Libertação de Fermentelos - de que toda a gente ouviu falar”. “Também concordo - continuou o Carvalhoso - instala-se uma guarita com guardas nas ruas principais, nas fronteiras terrestres, com detector de metais, e se alguém for a sair com coisas que não sejam suas, é preso! E ninguém pode entrar sem mostrar o passaporte e fazer declaração de rendimentos…”. “Isso era bom e resolvia o problema se não houvesse uma raia aquática e extensa. Por ali pode entrar tudo e todos em barcos de pequeno calado, mas que podem ser de grande tonelagem e até a nado”, disse o Reizinho, com ar grave. “Também pensei nisso - disse o Carvalhoso - temos que fechar essa fronteira, não sei bem é como… mas quer-me parecer que só com carabineiros com lanchas voadoras”. “Isso ficava muito caro, é incomportável - respondeu o Amílcar Granizo - só se o Clube ajudasse, mas não acredito! O melhor é deixar uma orla de jacintos junto à margem, que eles assim já não entram!...”. *** Agrupam-se as forças Laranja, sucedem-se as reuniões veladas, os movimentos subterrâneos, as SMS secretas. Aproximam-se as Autárquicas e começa a haver rumores sobre os possíveis candidatos. O Lenine, sentado na esplanada da Trigueiral, confidenciava ao Egberto das Canas: “Não sei se se lembraram de mim, mas também se se lembraram, eu agora já não quero!...”. “Eu ouvi dizer é que vão lá pôr outra vez o Castro Agridoce - disse o Egberto - como aquilo dos canos ficou em águas de bacalhau e ele foi absolvido, de certeza que vão apostar nele outra vez”. “Eu não sei nem quero saber - resmungou o Lenine - apostem lá em quem quiserem, eu é que não me meto em nada disso!”. O Egberto ajeitou o boné de pala do PC do Porto e resmungou: “Pois é. O pior é que, ganhe quem ganhar, a Rua de Cima vai continuar fechada ao trânsito!”.
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