ÁGUEDA: A QUESTÃO PRÉVIA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL
Águeda reúne dia 28 de Fevereiro, e mais uma vez, a sua Assembleia Municipal. Órgão máximo do concelho entre eleições autárquicas, cabe-lhe a obrigação de ter a cada momento uma informação esclarecida da vida nas suas 20 freguesias, da actividade municipal na concretização do plano de actividades e a de analisar, com seriedade, a difícil encruzilhada em que o município se encontra - nas graves carências no domínio das infra-estruturas básicas (água, saneamento, vias de comunicação), nas decisões do governo central no âmbito das reformas da saúde, educação, justiça e a de averiguar da voz e capacidade de intervenção que o município tem assumido nos órgãos regionais do poder local de que faz parte - estará o concelho de Águeda a ser colocado entre parêntesis nas grandes decisões estratégicas para a região, na distribuição de verbas do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) até 2013 e em elaboração pela Universidade de Aveiro, conforme protocolo assinado em 5 de Julho de 2007? A Assembleia Municipal, no seu currículum de dois anos, tem-se limitado a aprovar, politicamente e quase por abstenção, os anos de actividade da maioria socialista da Câmara, garantindo às Juntas de Freguesia a atribuição dos euros necessários ao mínimo da sua actividade, à aquisição de alguns autocarros e um ou outro tractor de limpeza de valetas. Ora não é só isto que, legitimamente, se esperaria da Assembleia Municipal e é chegada a hora de colocar uma questão prévia e essencial: é esta a face do poder local de que Águeda precisa, para não cair naquilo que alguém já chamou neste jornal de deserto político? E para elaborar um plano director municipal à altura dos prementes problemas do concelho, que inverta este plano inclinado de duvidoso presente e incerteza quanto ao futuro? E que estrategicamente defina um rumo para o concelho, balize os parâmetros de uma actividade autárquica de médio prazo e saneie de vez esta negligência e muita demagogia com que têm sido abordados problemas da nossa vida colectiva - das eólicas de Agadão à pateira de Fermentelos, da Carta Educativa ao Cine-Teatro S. Pedro, da ligeireza da recepção a membros do governo central às visitas-relâmpago a comunidades de emigrantes no estrangeiro? Numa altura em que se discute a nova lei autárquica a Assembleia Municipal de Águeda precisa de se ver ao espelho e de perceber que, no amanhã, a história da nossa comunidade também reflectirá a atenção ou o desprezo que ela, no seu tempo, a ela dedicou. * JNS
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