A factura da (nossa) política
A Assembleia Municipal de Águeda, em Julho de 2009 e na quase véspera da campanha eleitoral autárquica, deliberou entregar à AdP (Águas de Portugal), os recursos hídricos do concelho por um prazo de 50 anos e, bem assim, a concretização das obras ainda por realizar, de abastecimento de água e saneamento.
A proposta foi apresentada pelo PS e mereceu a complacência dos eleitos do PSD que, ao abster-se, a viabilizaram. As “facturas” desta deliberação política começaram, entretanto, a chegar aos munícipes, levando muita gente as mãos à cabeça, tão brutal e dolorosa foi a conta e o aumento do preço a pagar por esse bem imprescindível à vida de todos nós, como é o da água. Valeria, assim, a pena que os partidos políticos responsáveis por esta situação viessem a público explicar melhor o que falhou para que a Câmara Municipal entregasse – sem condições - a água e o saneamento a uma entidade exterior, deixando a população abandonada e à sua sorte, a protestar nas filas dos escritórios da AdP. É que fica a ideia – expressa até pelos habituais teóricos do PS e PSD locais – que a Câmara Municipal dse Águeda não tem nada a ver com a situação. Mas as forças políticas que ao longo dos anos ocupam as cadeiras do poder municipal devem prestar contas à população. Não chega deliberar em cima do joelho - como foi o caso escandaloso da água e saneamento – e depois lavar as mãos como Pilatos. A altura era de pré-eleições e o que o PSD e PS quiseram foi “arrumar” a questão da forma mais fácil, politicamente mais barata e menos embaraçosa para a campanha que se avizinhava. Mas a política autárquica não deve ser assim. E é chegada a altura de novamente perguntar ao PSD o que é que está a fazer na Câmara Municipal, com os seus três vereadores sem pelouros distribuídos e não se conhecendo propostas suas relevantes para registo. Afinal, a oposição tem servido, em Águeda, para quê? Alguém saberá responder? Fica atenta, Beatriz! n JNS
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