CLUBE DA VENDA NOVA: O MELHOR É ACABAR COM AS JUNTAS DE FREGUESIA!
Têm saído leis em catadupa que atingem transversalmente todos os sectores da sociedade, não deixando ninguém sossegado. Juntaram-se agora os autarcas das freguesias em concílio, indignados. “Reformam tudo - berrou o Zé Oliva até ficar vermelho de raiva - tiram as férias à justiça, obrigam os professores a fazer exame, fecham as urgências, não deixam fumar ninguém descansado e agora metem-se connosco, querem-nos calar!” “Tem toda a razão - corroborou o Rogério Estrelado - eu que até sou dos deles não concordo. O melhor é acabar com as Juntas de Freguesia e pronto!” “Nem podemos agora votar o plano e orçamento na assembleia do Clube - exclamou, irritado, o Amílcar Granizo - isto é um atentado à democracia e aos direitos do povo que me elegeu e de quem sou porta-voz! E se a minha voz não se ouve, não me elegem outra vez!” “O que eles querem é que a gente vá para as assembleias dormir ou ouvir discussões pessoais inúteis e nem nos deixam levantar o dedo para votar”, resmungou o Tampos de Espinhel. “Não radicalizem tanto as vossas posições - aconselhou o Jorge Americano - para já, a lei ainda não foi aprovada e ainda pode ser modificada. E sempre podemos votar noutras coisas importantes, como quem é que vai no corso de Carnaval ou em quem representa a assembleia na Festa do Pau, etc.”. “Pois é, mas não podemos votar o que nos interessa - voltou à carga o Zé Oliva - queremos é dinheiro para obras e assim temos que andar como pedintes, com o chapéu na mão”. “Mas nem com o chapéu na mão - continuou o Fernando de Óis - se não há orçamento nem plano discutido e aprovado por nós, eles podem prometer uma coisa e fazer outra e depois dizem que foi engano! Prometem, por exemplo, alargar a estrada que vai para Cabanões e põem os passeios em Barrô…”. “Se assim fosse, eu até estava a favor - disse o Wilson Tintilhão - mas não acredito, porque eles têm pouco respeito por essa terra”. “Parece que só há um remédio - bradou o Vítor Maratonista de Recardães - é eles fazerem como querem fazer nas escolas, é acabar com as juntas e arranjar uns administradores profissionais e pagar-lhes bem!” “Isso não podia ser - comentou o Carlos Aberto de Valongo - se fossemos a pagar a administradores ficávamos sem dinheiro para limpar as valetas e para os carros de mão”. Depois de muita e acalorada discussão acabaram por decidir, com o voto contra do Jorge Americano, irem a Lisboa fazer uma grande manifestação. No comboio foram a cantar com a música do “Coração Apaixonado”, do Marco Paulo:
Vamos todos para S. Bento Tristes com toda a razão Não votamos o orçamento Andamos de chapéu na mão. Não temos dinheiro par nada Nem para despesas nem obras Eles ficam com tudo o que querem E só nos dão as sobras E como de nós têm medo Nem nos deixam levantar o dedo!
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