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CLUBE DA VENDA NOVA: O MELHOR É ACABAR COM AS JUNTAS DE FREGUESIA!

por Redacção Soberania em Janeiro 23,2008

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Têm saído leis em catadupa que atingem transversalmente todos os sectores da sociedade, não deixando ninguém sossegado.
Juntaram-se agora os autarcas das freguesias em concílio, indignados.
“Reformam tudo - berrou o Zé Oliva até ficar vermelho de raiva - tiram as férias à justiça, obrigam os professores a fazer exame, fecham as urgências, não deixam fumar ninguém descansado e agora metem-se connosco, querem-nos calar!”
“Tem toda a razão - corroborou o Rogério Estrelado - eu que até sou dos deles não concordo. O melhor é acabar com as Juntas de Freguesia e pronto!”
“Nem podemos agora votar o plano e orçamento na assembleia do Clube - exclamou, irritado, o Amílcar Granizo - isto é um atentado à democracia e aos direitos do povo que me elegeu e de quem sou porta-voz! E se a minha voz não se ouve, não me elegem outra vez!”
“O que eles querem é que a gente vá para as assembleias dormir ou ouvir discussões pessoais inúteis e nem nos deixam levantar o dedo para votar”, resmungou o Tampos de Espinhel.
“Não radicalizem tanto as vossas posições - aconselhou o Jorge Americano - para já, a lei ainda não foi aprovada e ainda pode ser modificada. E sempre podemos votar noutras coisas importantes, como quem é que vai no corso de Carnaval ou em quem representa a assembleia na Festa do Pau, etc.”.
“Pois é, mas não podemos votar o que nos interessa - voltou à carga o Zé Oliva - queremos é dinheiro para obras e assim temos que andar como pedintes, com o chapéu na mão”.
“Mas nem com o chapéu na mão -  continuou o Fernando de Óis - se não há orçamento nem plano discutido e aprovado por nós, eles podem prometer uma coisa e fazer outra e depois dizem que foi engano! Prometem, por exemplo, alargar a estrada que vai para Cabanões e põem os passeios em Barrô…”.
“Se assim fosse, eu até estava a favor - disse o Wilson Tintilhão - mas não acredito, porque eles têm pouco respeito por essa terra”.
“Parece que só há um remédio - bradou o Vítor Maratonista de Recardães - é eles fazerem como querem fazer nas escolas, é acabar com as juntas e arranjar uns administradores profissionais e pagar-lhes bem!”
“Isso não podia ser - comentou o Carlos Aberto de Valongo - se fossemos a pagar a administradores ficávamos sem dinheiro para limpar as valetas e para os carros de mão”.
Depois de muita e acalorada discussão acabaram por decidir, com o voto contra do Jorge Americano, irem a Lisboa fazer uma grande manifestação.
No comboio foram a cantar com a música do “Coração Apaixonado”, do Marco Paulo:

Vamos todos para S. Bento
Tristes com toda a razão
Não votamos o orçamento
Andamos de chapéu na mão.
Não temos dinheiro par nada
Nem para despesas nem obras
Eles ficam com tudo o que querem
E só nos dão as sobras
E como de nós têm medo
Nem nos deixam levantar o dedo!


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