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SOBERANIA DO POVO

por Luisa (dra) Mello em Janeiro 17,2008

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“O Conselheiro Albano de Mello, seu fundador, era meu tio bisavô. Irmão do também Conselheiro Joaquim de Mello, que, com ele ajudou a fundar o semanário que é hoje o mais antigo de Portugal. Parabéns por mais um ano!”

Não tenho ideia de, desde que me conheci por gente, não ter visto o meu avô paterno a escrever para a Soberania, onde ostentava o pseudónimo de “Justus”. Menina e moça me levaram de casa de meu pai - como no começo de um belíssimo livro de Bernardim Ribeiro…  - mas mesmo muito menina e moça… . Meus pais andavam então por comarcas quase tão pós-medievais como a obra do próprio Barnardim…
Meu pai, magistrado, e minha mãe, exercendo a maternidade e respectivo agregado a tempo inteiro, sendo que a primeira ocupação lhe demorou anos seguidos de fraldas e biberons. Como primeiro rebento, saí para cada de meus avós em Lisboa, andava pelos doze meses e a minha irmã quase a nascer…  Também esta minha queridíssima irmã, tão precocemente falecida daqueles tifos que ao tempo matavam tanto como a tuberculose, se me veio juntar na capital, quando o resto da “rapaziada” começou, como as manas, a abrir os olhos para o mundo“ E rapaziada em escolas “medievais” era como o outro… Agora as meninas! Assim fomos ficando, indo a casa paterna de férias ou vindo meus pais a Lisboa, ver as suas rapariguinhas.
Devo dizer que nunca precisei de pedo-psiquiatras pela “transferência”… Também acho que, por essa época, os não havia e as criancinhas da altura pouco padeciam de crises de identidade. Às birras, chamava-se má criação e eram resolvidas com duas sapatadas no rabo. Tive, aliás, uma infância felicíssima. Educação de luxo, em Colégio das Dorotheias,  ao tempo consideradas cinco estrelas. (talvez por isso hoje aprecie tanto o ensino público, sempre fui espírito de contradição). Entrei com sete anos e de lá sai aos dezassete, sempre semi-interna: entrada às nove, saída às cinco Belíssimo e tranquilo ensino. Disciplina q.b. para a época. Já então usufruíamos, nos recreios de ringue de patinagem e campos de basket-ball e hand-ball. Ginástica era na Mocidade Portuguesa, aos sábados, e eu baldava-me sempre que podia… Desde os sete anos que o Francês - então língua universal - fazia parte dos “curricula” e o piano também. Além dos programas normais (e tantos conhecimentos me  ficaram, até hoje, do que então era obrigatório aprender!) que também metiam bastas aulas do Catecismo, que, devo dizer, às vezes chateavam um bocadinho, mas nunca ao ponto do traumatismo infantil… Eram as aulas em que mais vezes era mandada porta fora, por perguntas” inconvenientes” mas que ainda hoje, juro, eram feitas por inocência e não por “maliciosidade”, que era o que as irmãs julgavam…
Sete aninhos de Latim (entre o 1º. e o 7º. ano dos Liceus de então) com professor leigo, autor dos livros de Latim da época, de sua graça Nicolau Firmino. Nós chamavávamos-lhe pelas costas Nicolino Firminau, mas aí nunca fomos apanhados… Shii!…O que havia para contar ainda! Mas, chegando ao Latim, volto ao avô e aos seus escritos para a Soberania, Não porque ele tivesse escolhido o pseudónimo Justus, que lhe assentava muito bem, mas porque era quase sempre quando voltava do trabalho, ao fim da tarde, que eu, regressada das actividades lectivas às cinco, me encontrava sentada à mesa da braseira da saleta às voltas com traduções do Cícero, do Ovídio, das “De bello galicum” de Júlio César  (coisa que dava uma mão de obra danada, em consultas no dicionário!) Entrava o avô, “então milha filha que tal vai isso?”, e sentava-se do outro lado da mesa, a escrever para a Soberania. Mandava-me pôr a rádio mais baixo (que eu sempre gostei de estudar ao som de música) e ali ficávamos até ao jantar , cada um no seu “métier”. Pelo menos duas vezes por semana. Por isso, o nome Soberania me era tão familiar mesmo antes de eu saber o que a palavra verdadeiramente queria dizer… Por isso, quase posso dizer que a Soberania”me está nos genes. E por isso eu amo este jornal

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