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ERAM TÃO HONRADOS QUE HONRARAM A PRÓPRIA MESA

por Redacção Soberania em Janeiro 09,2008

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O tempo era de chuva intensa, pardacento, feio, abominoso, mas o salão da Banda estava acolhedor, aquecido, bem decorado, e as pessoas que se sentaram na mesa corrida, estavam bem dispostas. O Silva dos Farolins estava exultante e, naturalmente, entusiasmado. Era o aniversário do jornal e o lançamento do seu livro, repositório de editoriais. Subiu ao estrado, dirigiu-se ao púlpito, saudou todos os presentes e, em especial, a mesa de honra, onde se sentaram os escolhidos que, como disse, eram tão honrados que honraram a própria mesa.
Foi dada a palavra ao Dr. Paulo Assucena que, para apresentar o dito livro, também falou do púlpito:
- “O autor tem grandes inquietações de carácter social. A pedra angular dos seus escritos são as assimetrias, a existência de ricos muito ricos e de pobres muito pobres e ainda o domina a preocupação de que, mais tarde ou mais cedo, vai acabar a classe média”.
Parou por momentos, sorveu um gole de água e continuou:
- “Nas suas divagações, o Silva dos Farolins construiu como que uma teoria baseada nas suas observações do micro e do macro económico e combinação dos factores de produção - matéria-prima, capital e trabalho - com a satisfação das necessidades sociais, o que faz lembrar teorizadores como Keyns, Adam Smith, Michael Porter e Engels e até a tese catastrófica de Marx.
- “Mas o que é isso?” - perguntou o Eleutério Costa Nova, surpreendido - “Não conheço ninguém dessa gente!”
- “Eu explico… - continuou Paulo Assucena - “o autor entende que há ricos e pobres e a classe média acabará. Ora, a classe média, com o peso dos impostos, a corrupção, o custo de vida e o sobre-endividamento, vai cair na classe dos pobres. E o Estado tem que tomar conta deles…”
- “Mas isso de haver só ricos e pobres é a teoria do maniqueísmo” - pensou alto o Deniz de Bouquets - “e, se assim fosse, só ficavam meia dúzia de ricos! Isto é tudo um exagero!”
O Rolim Stones, a certo momento, ficou com os olhos marejados de lágrimas.
- Ó homem, você está emocionado com o discurso? - perguntou o Aníbal Prato Pequeno.
- “Embora esteja contente com o Silva dos Farolins, que nunca me enganou, eu estou é danado para ir fumar um cigarro…Vou lá fora, nem que apanhe uma molha, não posso fumar aqui por causa da lei e pode vir aí a ASAE”.
- “E é bom que andem por aí a vistoriar os restaurantes e as casas de pasto” - disse, com ar sério, o António Manuel Talho - se não, vejam bem: há dias fui à casa de banho de um restaurante, que até nem era muito barato e sabem o que é que estava no bidé? Bacalhau a demolhar! “


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