QUEM HAVIA DE DIZER?!
As mil e uma peripécias que têm envolvido ultimamente o maior banco privado português, são de molde a dar que pensar. E levam-nos a interrogarmo-nos como foi possível tantos senhores que alardeavam tanta prosápia, tamanha respeitabilidade e tão grande espiritualidade (Opus Dei, etc,…) se deixaram “apanhar” com a boca na botija, evidenciando, no mínimo, inadequação às elevadas funções que desempenhavam, ou ainda desempenham!
Pagos a peso de platina (o ouro, aqui, seria metal pobre…) esses senhores (para evitar cometer alguma injustiça prefiro escrever “de alguns desses senhores…”) banquetearam-se ao longo de décadas com o dinheiro que lhes fora confiado, sem que qualquer suspeita de abuso de confiança, ou compadrio, atravessassem o muro impenetrável da instituição. Houve, é certo, aqui e ali, um ou outro “sinal” de alarme que já parecia indiciar algo merecedor de peculiar atenção. Mas a ponto de se poder vir a chegar ao ponto em que chegámos, raros terão sido aqueles que não se admiraram com o que acabou por ocorrer. Um desses não surpreendidos, por acaso meu amigo do peito, sempre me alertou para as “facilidades” (melhor caracterizando: as “irregularidades”) que por aquelas bandas estariam a acontecer. «Olhe que se um dia o balão rebenta, vai cheirar mal por muito tempo e a grande distância!...?. Prevenia-me esse amigo conhecedor do que estaria a suceder. Vítima menor de uma dessas manigâncias, no início da actividade desse banco, confessava-lhe a minha incredibilidade. Afinal, era ele que tinha razão: uma vez mais onde fumegava já ardia, tudo levando a crer que a ponta do véu nunca venha a ser completamente desvendada. Neste país de brandos costumes o dinheiro continua a impor a “ordem dos dias” não consentido que se faça justiça como seria mister. O povo tem por vezes razão quando afirma “cá se fazem cá se pagam”. Infelizmente não muitas vezes. Mas poderá ser que esta seja uma delas. Lá que seria bem feito, seria.
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