QUANDO
“Era uma casa muito engraçada. Não tinha teto não tinha nada. Ninguém podia varrê-la, não Porque nada casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede Porque na casa não tinha parede. Ninguém podia fazer chichi Porque penico não tinha ali…” Canção Brasileira
Sempre achei muita piada ao geito infantil desta canção. Sem teto, sem chão, sem paredes, sem “vasos” para um aperto… Uma não casa, cujo conceito a ele próprio se nega. Um “no-sense” como dizem os britânicos. De há uns tempos para cá, dou comigo a trauteá-la frequentemente. Sem já achar a piada que lhe achava ao princípio: faz-me lembrar o nosso país. Não se lhe vê a Justiça, os Serviços de Saúde, a Educação com “E” e “e” pequeno, temos as maiores dúvidas sobre os serviços da Segurança Social. Quando se começa a ratar nas pensões dos reformados, não é só o dinheiro prometido e pago antecipadamente que faz falta, é a tristeza de se chegar a ter de contribuir para o que já se constribuiu, dando à má fila em mais um peditório para o Estado. Quando os funcionários públicos têm de ir morrer para o local de trabalho. Quando portugueses têm de ir nascer a Espanha, ou pelas estradas de Portugal, com parteiros improvisados. Quando as listas de espera para cirurgia em serviços públicos vai para os milhares. Quando os medicamentos são cada vez menos comparticipados. Quando só os pensionistas com menos de 369 (trezentos e sessenta e nove!) euros de reforma é que têm direito a próteses dentárias (será que ouvi bem?) e os reformados vão descontar para a ADSE mais que os no activo. Quando o ministro das Obras Pública vem desmentir os técnicos que avisam sobre pontes a caír. Quando, no mesmo ramo, a OTA é capaz de ser levada avante, em detrimento de soluções muito menos dispendiosas e mais lógicas. Quando um Tribunal pratica, através de uma sentença que envolve requintes de malvadez, a insensibilidade (poderei dizer irresponsabilidade?) de ordenar que a pequena Esmeralda seja entregue ao pai biológico, que mal conhece, no dia seguinte ao Natal. Quando o governo se estica, todo a ver se faz dos magistrados funcionários públicos (está-se mesmo a ver que os olhos tapados da Justiça estão em risco de cegueira!). Quando o Porcesso Casa Pia já vai no 2º. volume e o primeiro não passou ainda do prefácio, com um novo Código do Processo Penal a facilitar a vidinha dos “heróis”. Quando se põem processos a jornalistas televisivos do serviço estatizado, porque ousa dizer publicamente que não gosta que lhe “ensinem o padre-nosso” de como escolher e encarreirar as notícias. Quando apetece fazer a toda esta “frangueirada” e seus protagonistas-gerentes, o que o Rei de Espanha fez ao cromo do Chavez, berrando a todos os pulmões: “Calla-te, calla-te, calla-te, calla-te!, estamos conversados. Não sei se o governo é da esquerda, se da direita, se mais ou menos e antes pelo contrário. Sei que estamos a atabafar. Reformas são precisas, sim, mas, como se usava dizer, há muitas maneiras de cozinhar bacalhau e esta caldeirada está cheia de espinhas. Fui ao dicionário, à cautela: - Estado: Nação organizada politicamente. Governo: acto ou efeito de governar; administração. Realizada por alguns de nós. Não é a mesma coisa mas vai parecendo… Pelo menos, às vezes confunde-se. E qualquer dia já estamos nos dois últimos versos da canção do princípio do texto! n LUISA MELLO
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