A culpa
Chamam-me a ver qualquer coisa que passava na internet, versão lusitana. Estava entretida com uma emissão do canal História sobre civilizações pré-históricas e não fui à primeira. Ler em écran não me interessa mínimamente, que sou fundamentalista do papel. O apelo repetiu-se e passei contrariada ao “local do crime”. Lá estavam citados o número de continentes, oceanos, países, lugares, montanhas, hemisférios e toda a variedade de geografias que este mundo apresenta. Preparava-me para virar costas quando um semblante sorridente surge ocupando todo o écran: o do nosso Primeiro-Ministro. Por baixo, a seguinte legenda: com tanto sítio neste planeta e este tipo logo havia de ter nascido em Portugal! A palavra “tipo” é da minha educada autoria. Voltei a rir ao canal História, cada vez mais fascinada com antigas civilizações - pelo menos já lá vão... Por enquanto, neste meu querido Portugal, o governo daquele senhor passou à fase do “era e não era, andava na serra quando lhe vieram dizer que seu pai era morto sua mãe por nascer...” (lenga-lenga antiga de que só me resta esta memória). Quero dizer: o governo que ainda está, é, quando lhe dá jeito e não é quando não dá. Lava as mãos como Pilatos e este, apesar da fama, teve menos culpa na morte de Cristo que o Sócrates moderno no descalabro em que deixou o seu país que, infelizmente para nós, é nosso também. Pensando bem, foi uma governança cheia de originalidades: passou-se do “não preciso de conselhos: sei fazer os disparates sozinho (Pittigrili), a “o demónio são os outros” (Sartre), a “não sei, não vi, não estava lá” (Maria José Valério, em canção antiga). Sortido fino! Tão fino ou finório como “o que é meu é meu, o que é teu nosso”, suponho que de origem marxista. Meu: o bom; nosso o mau. Maniqueísmo mais manhoso! No caso vertente, toda a oposição carregou pecados e culpas desde o tempo do pecado original, sendo que o cepo das marradas se centrou no seu principal partido, que, por esse motivo, era o que “espetava mais ferros”. E que ainda assim deixou incólume o “lombo do bicho” no louvável intuito de deixar seguir a festa, sem muito sangue. Não lhe valeu de nada: ficou com as culpas todas no cartório, dizem os da direita e dizem os da esquerda... Preso por ter cão e preso por não ter. E cheio de sorte porque o senhor Sócrates (ou algum dos seus sicários) ainda se não lembrou de lhe atribuir as culpas de todas as desgraças do Japão. Recomendo vivamente, que ainda vai a tempo: os salpicos, resquícios, restos ou lá o que é que já andam por ares nacionais, dessa terrível catástrofe, devem ser atribuídas ao PSD! E tenho de ser eu a lembrar! l Duzentos e sessenta e seis cidadãos com nomeações no Diário da República para cargos do Estado feitas por este governo que, ora sim, ora não!!! O que havia ainda de gente à espera de benfeitorias!!! l O Futebol Club do Porto festejou o título de campeão na Luz às escuras e com chuva de baixo para cima, como muito humorísticamente comentou o senhor Pinto da Costa. Resultado de uma temporada de provocações do festejo em estádio alheio. Que eu saiba, ainda é do livre-arbítrio do dono da casa, fechar a luz da sala e regar a relva do seu jardim sempre que lhe apetecer!... n LM - 2-4-11
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