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E depois deste adeus…

por Luisa (dra) Mello em Abril 06,2011

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Fui, com o meu marido, passar uma semana às termas (Caldas da Felgueira) para puro descanso. E tanto descansei que não deixei a este jornal qualquer apontamento. Mal chegada, já não foi a tempo; foi apenas o que se pôde arranjar... Desculpas ou alívio, conforme os democráticos pontos de vista!
l Apesar dos pesares, não é hoje que vou deitar foguetes, apanhar as canas e eventualmente chamuscar os dedos. Não sou tão “alienada” que se me escape a noção de que a queda de um governo no uso da sua legislação seja coisa para nos deixar em festa. Por pior e mais dissimulado que fosse - e era. Se bem que sempre se ouviu dizer que quem anda à chuva molha-se e a verdade é que o demissionário executivo (chefe, em primeiro lugar) se fartou de andar à chuva, sem gabardine ou umbrela. Agora, sejamos claros: o jogo do passa-culpas que sempre foi o seu favorito e com que encerrou em altos brados, é exercício de cinismo e hipocrisia. Só familiares e amigos não dão por isso. Outro disparate do tamanho de um camião é atribuir a culpa das culpas da sofreguidão do poder ao chefe da oposição do maior partido oponente (passe a redundância...).
Desde os idos do falecimento de D. João III que não me ocorre quem menos sofreguidão tenha tido nesse sentido. Quem se lembre desta parte da nossa História, tem de certo presente que o detentor final da cadeira do poder, foi um rapazola, meio alucinado, de seu apodo D. Sebastião, que nos meteu na boca do lobo castelhano mais de 60 anos. Para meu descanso interior, e porque não podendo eu já durar tanto tempo, mas cá deixando filhos e netos, espero que semelhante aperreamento não dure tanto (a não ser a pagar dívidas e compromissos, que isso é fatal como o destino) e que depois de eleições -  em que espero me deixem contribuir com o meu voto (só tenho cartão de eleitor e BI vitalício) -, não apareça por aí uma campanha eleitoral em que o desejado seja precisamente o alucinado Sebastião, na sua forma contemporânia de Sócrates, o que não tem apego ao poder mas se afirma, de novo candidato ao cargo. Como dizia o outro: desde que vi um porco a andar de bicicleta, já nada me admira!
l Antes de todos estes acontecimentos, mas tendo-os já em previsão, que as mentiras têm pernas curtas mas neste caso até deram para várias maratonas, as palavras de alguém muito lúcido no correio de um jornal diário - endereço electrónico - pouco antes da fatalidade: “O primeiro ministro fez hoje o que lhe competia: sublinhou o dever patriótico de agir, para evitar uma intervenção externa, embora não reconhecendo que Portugal já está sob comando estrangeiro (...). Também sublinhou muito o factor “confiança” (...) Mas a falta de confiança reside igualmente no descrédito generalizado do Governo, o que ele não referiu (...). Sócrates sabe o destino que o espera mais tarde ou mais cedo. Portanto, vestida a pele de cordeiro (...) ser-lhe-á mais fácil fazer-se passar depois por vítima imolada pela oposição sedenta de poder, porque ele, abnegado, não pensa na sua carreira política...”.
l E pronto. Como preconizava Maquiavel, “O Príncipe” deve fazer os malefícios todos ao mesmo tempo.
Estão feitos. Que Deus nos salve de novo aparecimento deste “Princípe”!
 n LM - 24-3-11

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