Lar do Centro Social de Agadão
Em Setembro de 2008, ainda Sócrates era o chefe socialista do Governo, aqui se escrevia que "o lar de Agadão nas mãos do Simplex", denunciando um processo iniciado em 2004 e destinado à construção de um lar, com capacidade para 30 utentes do centro de dia, 12 no centro de noite e 30 para o apoio domiciliário, o que correspondia a um estudo, à data, da Segurança Social de Aveiro, mas que se arrastava penosamente, apesar das diligências junto do director distrital, engº. Celestino de Almeida, e de outras entidades, sempre esperando que a política tão apregoada da eliminação da burocracia funcionasse e a obra fosse aprovada. E tudo isto quando se estava em plena aplicação dos fundos comunitários do QREN (21,4 mil milhões de euros), numa linha essencial da sua filosofia politica: estabelecer a coesão social das populações, aproximar as zonas mais ricas das mais carenciadas, evitando, desse modo, também, o aparecimento de "desertos" no território nacional, fruto do desemprego, crise da economia local e inevitável desertificação. As vítimas, como sempre, são os mais velhos, os mais frágeis e carenciados. A Europa entendia assim e também, por essa via, a importância de criar as condições dignas de manter nas zonas mais carenciadas os mais velhos, aqueles que já não têm forças para fazer a mala e partir. Em Águeda, a população mobilizou-se e uma série de novos lares se construíram, numa afirmação de genuína solidariedade colectiva: a de dar aos outros o amparo e o carinho que tão singular se torna, numa altura em que as forças escasseiam e a esperança se escapa entre os dedos. Agadão, freguesia serrana, talvez por não ter muitos eleitores, foi várias vezes preterida na aprovação dessa obra. Mas valeu a pena não perder a esperança, não desistir à primeira, nem à segunda vez. As consciências políticas vão amadurecendo, vão corrigindo asneiras cometidas e, hoje, finalmente, a obra do CENTRO SOCIAL DE AGADÃO vai ser uma realidade! A ADICES, associação de desenvolvimento local, com sede em Santa Comba Dão, e o programa PRODER, atribuíram uma preciosa ajuda à obra: 200.000 euros, a começar já em Junho próximo. O lar de Agadão vai, assim, ser uma realidade. E, como sempre ensina a história dos povos, o que mais importa é que ela se faça, sem estar a condenar quem teve culpas no seu atraso ou - a bater palmas a quem trabalhou, sem baixar os braços, para o seu avanço. O povo de Agadão bem merece esta obra. E que ela seja mais um marco, um ensinamento e um passo decisivo na luta contra a desertificação, no bem-estar da sua gente idosa e vivendo os seus últimos anos de vida próximos dos seus, na sua terra, passando o seu testemunho de vida, a sua experiência e o seu saber! Boas noticias, não é Beatriz? n JNS
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