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O jornalismo e a ditadura do efémero

por Paulo Matos* (dr) em Maro 28,2012

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Os palcos privilegiados do combate político, a nível local, estão na Assembleia Municipal e nos jornais locais.
Quando os protagonistas não tomam posição, ouvem criticas de inércia. Paradoxalmente, quando tomam posição, são também criticados, não raro injustamente, porque não apresentam alternativa, cultivam o bota-abaixismo e não remam para o mesmo lado na defesa dos interesses do concelho!
Os jornais locais têm vivido da informação institucional que lhes é fornecida pelos gabinetes de imprensa da autarquia e dos partidos políticos.
Para não correrem o risco, não intencional, de tomar partido, os media deviam e podiam fazer mais investigação própria e menos tratamento ou reprodução de matéria-prima noticiosa fornecida por entidades por natureza parciais.
A permanente troca de acusações ou de imputações, através dos media, já não colhe grande simpatia junto dos utilizadores de jornais, mas ainda é o alimento da notícia, sobretudo quando não há notícia.
Alguns tribunos semanais que escrevem opinião, em regra por dever de ofício, mas não raro com excesso de zelo, tentam sempre agradar a gregos e a troianos, com alegada reserva ética, elaborando e delirando sobre tomadas de posição, comentários, frases e expressões utilizadas pelos protaganistas políticos, agora ou no passado, descontextualizando-as ou adulterando o seu sentido original, por necessidade, conveniência ou por mera habilidade jornalística.
Também no país, no grande jornalismo nacional, o que conta verdadeiramente não é a informação e a busca da verdade, mas o espectáculo, a forma, a frase bombástica e sensacional, o dislate do verbo político, a gaffe, o descuido da narrativa e outras imperfeições dos políticos, “apanhados” em declarações forçadas à porta de manifestações, visitas e até de reuniões privadas.
Recentemente, os grande temas que dominaram a agenda mediática passaram por relevâncias como o “piegas”, o “erro colossal”, “as poupanças do Presidente da República”, “o pastel de nata do Álvaro”, o “pentelho do Catroga”, “a água que os deputados bebem no parlamento”, o carnaval, os feriados e outros faits-divers que preenchem o repertório do “Inimigo Público” mas que não acrescentam um átomo à informação e ao conhecimento sobre a situação do país.
Isto, sem esquecer os julgamentos penais que hoje são feitos pelas televisões, à porta dos tribunais, com os índigenas que ditam as sentenças com a espuma da saliva recalcada para a acta dos microfones àvidos de sangue.
Quando alguma figura pública é detida, diz-se que “recolheu aos calabouços” e não ao estabelecimento prisional. Sintomático deste clima mediático inquisitorial !
É verdade que quem se presta hoje a exercer funções públicas deve saber ao que vai e ter a capacidade de sofrimento necessária e suficiente para resisitir à tentação de responder à letra às ofensas ao bom nome, frequentemente acolitadas e ocultadas no limbo, por vezes cobarde, da liberdade de informação.
Veja-se, a propósito, a abjecta intromissão que a TVI efectuou numa conversa privada entre o nosso Gaspar (ministro das Finanças) e um ministro alemão
Esta ditadura de retrato do efémero, da expressão, do verbo, da forma, da carapaça, do embrulho, da prenda, do bitaite, do segredo, do oculto, da conversa privada, que prefere a espuma dos dias à substância das coisas, é proprocional ao estado de anomia lavar e de verdadeira indigência intelectual em que , por vezes, cai muita da informação jornalística que se faz em Portugal.
Pessoalmente, quer enquanto cidadão, quer enquanto protagonista temporário de funções públicas, estarei sempre do lado da liberdade sem amarras, do debate de ideias e do confronto de modos de vida, e da “informação rigorosa, da edição inteligente e da redacção elegante”, que são os valores fundamentais do jornalismo praticado por um grande jornal de referência mundial - o New York Times.
PAULO MATOS
* Membro da Assembleia Municipal de Águeda
     


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