Tesos e malandros?!
“Férias?! O que é isso?! Tenho muito trabalho! Vivemos tempos difíceis, não podemos parar!”” A minha amiga alemã respondeu assim à pergunta que formulei e que para mim era a mais natural do mundo…. Senti-me embaraçado e atalhei: “É que nós por aqui não temos muito trabalho.…” Resposta eficaz: “Lamento…” No dia seguinte jantava com amigos e perguntei a um, com emprego de horário normal de 35 horas por semana, exactamente o mesmo: “Estou com bastante trabalho, lá no emprego, mas é evidente que tenho que tirar férias. Se não, esgoto!” Um outro amigo acrescentou: “Em Agosto o país pára! Está toda a gente de férias! Mantermo-nos a trabalhar é perca de tempo!” A senhora Merckel, Chanceler Alemâ, acusou o nosso povo e outros do sul da Europa, de só pensar em férias: praticamente chamou-nos malandros! Ela não compreende que, estando o país em risco da bancarrota, continuemos a parar para férias!Podemos estar tesos, mas uma coisa não podemos dispensar: o nosso direito constitucional a estender o corpinho ao sol, pelo menos duas ou três semaninhas ou um mesinho! Certos ou errados?! Como dizia e bem este meu amigo, não adianta pensar ou fazer doutra maneira: o país pára! Mesmo que quiséssemos manter o ritmo de trabalho, a produtividade seria reduzida: a partir de meados de Julho, começa a ser difícil encontrar as pessoas nos locais de trabalho e parece que “ninguém” decide nada! É tão frustrante, que, em presença do apetitoso sol, não nos resta alternativa que não aproveitar para descansar e recuperar forças para retomar o trabalho em Setembro! Bons hábitos?! Maus?! São os alemães que estão certos?! Ou nós?! Tesos e malandros, como nos chamou a Chanceler alemã, ou usando do mais respeitado dos direitos e fundamental para termos saúde para trabalhar: o repouso para férias!?. n EC
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