Postal da Semana: Os baldas
A jovem regressava de Berlim e dizia-me que tinha sempre saudades de Portugal. Exerce medicina num hospital alemão, onde está há dois anos. É um dos casos de jovens licenciados que buscam lá fora uma opção de vida profissional. “O que mais me custa é chegar atrasada um minuto ou dois e já estarem as portas encerradas; entro e vejo os olhares dos colegas a dizerem ‘lá vem a portuguesa, atrasada de novo!’ . Fala-me da produtividade e diz que a diferença de atitude é total: “Desde a hora que se começa a trabalhar até que se acaba, não se fala em mais nada que não em trabalho; não temos connosco o telemóvel nem dizemos uma palavra sobre outra coisa”. “Aqui, em Portugal, fala-se de tudo e pouco de trabalho; atende-se o telemóvel, chega-se atrasado… é uma balda, comparado com o hospital onde estou”. Apenas um exemplo, mas que nos diz muito. “Ganho 2 500 euros, o dobro do que ganhava aqui, mas reconheço que o meu rendimento naquele ambiente é muito mais do que o dobro!” Uma amiga minha, enfermeira, acabou o estágio e conseguiu colocação na Inglaterra. Filha única, está a custar-lhe viver longe e nem sequer o Natal conseguiu passar com a família. Mas diz que sente que está a fazer-lhe bem trabalhar num ambiente de muito rigor e onde se levam as coisas a sério. Pode ser que com estes exemplos de estágios forçados, a atitude dos portugueses melhore e, com ela, o nosso país ganhe outro ritmo e saia da lama, onde, mais ou menos, sempre estivemos!
1239 vezes lido
|