Futebol de 50 milhões!
O jovem médico teria menos de 30 anos e a enfermeira andaria pela mesma idade. Nascidos naquele país africano, tinham estudado em Portugal. A clínica privada onde trabalhavam atendeu-nos com toda a qualidade. Ambos se tinham formado em Portugal. Pareciam saber do que faziam. Explicavam cada intervenção que faziam, cuidadosos, atenciosos, competentes. Inspiravam toda a confiança. Boa formação tiveram no nosso país. Sabemos ensinar. Havia uma coisa em que os dois jovens não concordavam: ela era uma adepta assumida do F. C. do Porto e ele do Benfica! Fez questão de mostrar uma captação de imagem do seu telemóvel, feita num jogo no estádio da Luz, onde aparecia de cachecol do emblema vermelho e branco, muito entusiasmado, no meio da multidão de adeptos que festejava um golo benfiquista! Um pouco por toda a África que fala português, o sentimento é semelhante: os nossos clubes de futebol mais emblemáticos são a paixão destes cidadãos. A minha companhia observou mais tarde: “É surpreendente como continuam a ter por nós tanta admiração e carinho! Não têm nenhuma mágoa pela guerra que tiveram connosco e que tantas marcas deixou!” Mais uma vez, o nosso futebol é a referência que mais nos une, que mais paixões positivas deixou. Acredito que os nossos clubes, que continuam a ser também os deles, e que assim é a paixão que une cerca de 50 milhões de pessoas, fizeram muito por este sentimento de admiração e simpatia que os povos africanos revelam e ajudou a apagar as feridas do passado. n EDUARDO COSTA
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