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Memórias do passado, incertezas do futuro

por Luisa (dra) Mello em Maro 31,2011

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Não sei muito bem o que pensar sobre a contribuição do FMI para a nossa felicidade económico-financeira. Ou antes: tenho a vaga ideia que seria muito mau para a economia e possivelmente alavancador para as finanças. Isto digo eu, que percebo tanto do assunto como de lagares de azeite. Claramente, não sou tão grunha que não entenda que com os juros que andamos a pagar dos peditórios para a nossa sobrevivênia, nem capital nem juros serão pagos antes do ano 3.000 e daí a desconfiança dos famigerados mercados emprestadores e da patroa Merkl. Já passei por um FMI dentro de fronteiras, salvo erro pelo ano de 1970 e muitos picos e recordo  que não foi bom. Como presidente do Conselho Directivo da minha escola, tinha de “governar” com duodécimos, o que causava frequentes conferências “à rasca” com o chefe de secretaria, e, mesmo dentro da minha economiazinha doméstica, com três filhos dependentes e um então marido a recibos não sei de que cor, devido à tomada de posse, pela comissão de trabalhadores da então pujante e moderna fábrica onde era o engenheiro químico, com resultados que ditaram o falecimento da dita cuja… Com tudo isto, ia a explicar isto, tive de adoptar medidas de crise até então desconhecidas mesmo domesticamente. Ninguém passou fome nem frio, mas foi tempo que não deixou saudades. Hoje, não tenho filhos dependentes, o meu primeiro marido faleceu bastante novo, não há por cá recibos verdes (já bati na madeira!), mas tenho numa reforma que me levou mais de 30 anos a descontar quase tanto como o ordenado-base e todos os dias a sinto ameaçada, mesmo no seu congelamento de já nem sei quantos anos. A escola desse tempo, mesmo com os duodécimos, é uma suave e doce recordação do que sei ser hoje, e ainda havia produtos agrícolas de origem nacional nos nossos mercados. Resumindo, que já vai longo: a coisa acabou por se compor e não foi por aí que perdemos a soberania que se nos está a escapar agora. Uma coisa é virem controlar-nos os dinheiros, outra comandarem-nos politicamente o país. Pois então: estou a ficar convencida que Sócrates acha uma perda de prestígio para si próprio ter de pôr-se de braços ao ar perante o FMI fazendo, minhas as palavras de um analista político cujo nome esqueci de deixar no recorte do jornal, a respeito da crise e do citado Sócrates “que pena só saber reconhecer pelo retrovisor e não a ter visto antes, quando ainda a tínhamos pela frente e talvez pudessemos ainda guinar e escolher outro futuro!”.
Congresso do CDS: Aconselharia o dr. Paulo Portas - pessoa que, aliás, admiro pela clareza do discurso e escorreiteza da sintaxe - que relesse a fábula do sapo e do boi. Lembro-me de a ter lido “in illo tempore” da minha escola primária, tendo-se mantido nos livros escolares de filhos e netos. É óptima para acalmar pretensões utópicas… n LM - 19-3-11

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