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Não. Não foi linda a festa, pá!

por MJHM em Janeiro 20,2011

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Eu prometera a mim próprio  que não voltaria a participar em mais nenhuma  campanha presidencial,  tão  fracas  recordações as  anteriores  me deixaram, excepção seja feita à primeira candidatura de Mário Soares que, ao  partir de   sondagens da ordem dos 7%, conseguiu alcançar um retumbante  e justo triunfo.
 Cumpre reconhecer que a última, agora chegada ao fim, pouco melhor decorreu, com insultos e linguagem por vezes indigna do alto cargo que se devia preencher. Mas o convite que me chegou, formulado pelo Chefe do Estado-candidato, tornou impossível manter a validade do compromisso. Pena foi que a ocasião tivesse sido desaproveitada, privilegiando questões de lana caprina, em lugar de se discutirem os mais importantes problemas que, neste momento,  precisamente angustiam tanto a comunidasde portuguesa.
Seja como fôr, tudo indica que Cavaco Silva continue em Belém durante o próximo mandato que, aliás, não parece ser de invejar, tantas e tão complexas se apresentam as dificuldades a ultrapassar para vencer a crise.
Tenho a convicção de que as urnas não apresentarão surpresa de maior, de modo a permitir que os receios de hoje possam converter-se em auspiciosas decisões amanhã.
 Tudo parece, assim, indicar que a eleição fique resolvida na presente semana, para o que muito deverá contribuir a inteligente tomada de posição assumida por Cavaco Silva no termo da campanha,  ao reconhecer que o Partido Socialista ofereceu de mão  beijada, aos seus adversários, a oportunidade de criticar, praticamente sem resposta, o peso dos sacrifícios a suportar,  bem mais pelos que lutam com maiores dificuldades do que pelos que vivem com orçamentos mais folgados capazes de lhes permitirem a fruição de vida menos apertada e bem mais agradável. Para apagar a labaredas de um fogo, não circunscrito, têm de ser os que se apresentam melhor equipados e municiados os primeiro s a  c omparecer. Todos devem contribuir para vencer a crise mas é mister que os mais débeis paguem menos  de modo a serem menos penalizados que os outros.
Ao invés do que versejou o Chico Buarque de Holanda, “não, não foi bonita a festa, pá!”

 


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