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Razões de uns e de outros

por Manuel José Homem de Mello em Junho 29,2010

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Deveria ou não deveria estar presente  o 1º . Magistrado da nação nas cerimónias do funeral de José Saramago ?
Eis a primeira pergunta a que se deverá responder, caso se deseje abordar o tema.
Saramago foi – e nem por ter morrido deixou de ser – um expoente notável da literatura portuguesa. A nossa cultura  ficar-lhe-á a dever, para sempre, o pioneirismo do Nobel escrito em português. Nesta ordem de ideias, a margem para manter a dúvida será sempre demasiado pequena. Cavaco SIlva tinha que estar presente. A sua ausência não poderia ser justificada por quaisquer questões de lana caprina.
Dever-se-há concluir daqui  que, respeitando embora as desagradáveis referências de Saramago ao Presidente da República justificativas para a ausência das cerimónias fúnebres relativas à  incineração dos restos mortais do autor do Memorial do Convento -  dever-se-á concluir que os motivos (invocados ?) como justificativos da ausência mereciam ser considerados pouco menos do que irrelevantes?
QUID JURIS ! ?
Na verdade, confesso não estar suficientemente seguro da opção. É por estas e por outras que sempre mantive - e continuo a manter - as maiores dúvidas e reticências no que diz respeito à capacidade do homem ser julgador de si próprio.
 Ausente, Cavaco Silva, do funeral, foi como se não estivesse presente o próprio país. Presente nas cerimónias fúnebres, teria protagonizado um gesto de grandeza que só lhe  ficaria  bem praticar.
A memória dos que partiram , por maior que tenha sido a escuridão de algumas  das suas atitudes, ilumina-se quando através da vida conseguiram libertar-se da Lei da Morte.  


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