Razões de uns e de outros
Deveria ou não deveria estar presente o 1º . Magistrado da nação nas cerimónias do funeral de José Saramago ? Eis a primeira pergunta a que se deverá responder, caso se deseje abordar o tema. Saramago foi – e nem por ter morrido deixou de ser – um expoente notável da literatura portuguesa. A nossa cultura ficar-lhe-á a dever, para sempre, o pioneirismo do Nobel escrito em português. Nesta ordem de ideias, a margem para manter a dúvida será sempre demasiado pequena. Cavaco SIlva tinha que estar presente. A sua ausência não poderia ser justificada por quaisquer questões de lana caprina. Dever-se-há concluir daqui que, respeitando embora as desagradáveis referências de Saramago ao Presidente da República justificativas para a ausência das cerimónias fúnebres relativas à incineração dos restos mortais do autor do Memorial do Convento - dever-se-á concluir que os motivos (invocados ?) como justificativos da ausência mereciam ser considerados pouco menos do que irrelevantes? QUID JURIS ! ? Na verdade, confesso não estar suficientemente seguro da opção. É por estas e por outras que sempre mantive - e continuo a manter - as maiores dúvidas e reticências no que diz respeito à capacidade do homem ser julgador de si próprio. Ausente, Cavaco Silva, do funeral, foi como se não estivesse presente o próprio país. Presente nas cerimónias fúnebres, teria protagonizado um gesto de grandeza que só lhe ficaria bem praticar. A memória dos que partiram , por maior que tenha sido a escuridão de algumas das suas atitudes, ilumina-se quando através da vida conseguiram libertar-se da Lei da Morte.
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