header Incio | Pgina inicial | Adicionar aos favoritos |
Pesquisar Jornal   Pesquisa Avanada »
Seces
Arquivo
2 3 4 5 6 Sab Dom
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

Notcias no seu Email
Subscrever Newsletter

Votao: Férias
Onde pensa passar férias em 2014?
Portugal
Estrangeiro
Não vou tirar férias
Resultados de votao | Votaes antigas


email Recomendar a um amigo | print Imprimir |

Li e não gostei

por MJHM em Junho 23,2010

image
A morte de uma figura mediática - como aconteceu agora com José Saramago - constitui, as mais das vezes, oportunidade e pretexto para manifestações de índole política, cultural, religiosa, desportivas ou quejandas.
Os homens não perdem qualquer ensejo para se colocarem nos bicos dos pés, de modo a realçarem o protagonismo de cada um. Entre nós, não é diferente do que acontece em qualquer outra parte.
José Saramago foi um polemista que não deu tréguas aos seus adversários, designadamente ao catolicismo e ao capitalismo. Oriundo de berço mais do que modesto, subiu por mérito próprio os degraus do valor e da celebridade, tendo alcançado o mais cobiçado prémio literário concedido pela comunidade internacional.
 Revelou-se firme nos propósitos e coerente nas convicções. Sem esforço, poderá ser considerado um excelente escritor, muito embora não tão excelente quanto a si próprio se considerava. Era agreste, impetuoso. Desbocado. Mas no saldo da balança, entre virtudes e defeitos, superou aquelas em detrimento destes. O julgamento da posteridade ditará a sentença que virá a ocupar. Mozart e Beethoven foram pateados quando se entoaram pela primeira vez os acordes celestiais da maior parte das partituras que compuseram e Van Gog nem um só quadro conseguiu vender. Hoje, vale cada um para cima de 50 milhões de dólares. A glória da posteridade vence as calúnias da inveja e da mediocridade.
Li grande parte da obra de Saramago. Embora reconheça os seus dons de escritor, a verdade é que não gostei. E não gosto da maneira de escrever. Estou no meu direito. A unanimidade é um mito que se deve combater.
Sempre é melhor do que o brasileiro Nelson Rodrigues, que dizia de alguns livros dos seus compatriotas: «Eu nem li nem gostei...». Eu li, sem ter gostado.

1653 vezes lido

Gostou deste artigo?

1 2 3 4 5 Resultado: 4.00Resultado: 4.00Resultado: 4.00Resultado: 4.00 (total 2 votos)
Os artigos mais lidos
Os artigos mais divulgados