Um quarto de século
Estamos a caminho do primeiro quarto de século desde a eleição do primeiro Presidente da República civil que, como é sabido, foi o catedrático da democracia Mário Soares. Não tem sido fácil o caminho até agora percorrido, embora deva reconhecer-se que o país beneficiou, sob alguns aspectos, da entrada no grémio da democracia. Mas é evidente que se poderia ter feito mais e sobretudo melhor. Designadamente, na educação, na saúde, no emprego, no combate à corrupção e, por último, por ser talvez o primeiro, a falta de segurança. Algumas das fragilidades que já se notavam antes do 24 de Abril, ou não conseguiram ser superadas ou até sofreram acções redutoras. Por muito que a alguns custe reconhecer os aspectos positivos, a verdade deve ser respeitada. Digo-o sem aprazimento, porque devo ter sido dos que mais prejudicados foram com a revolução de 74. Prejudicado não apenas material, mas também social e familiarmente. Mas digo-o com o orgulho de ter a coragem de não ocultar a verdade. Todavia, apesar dos pesares, foi possível darem-se passos em frente, que muito contribuíram para retirar o país do medievalismo que não permitia que percorrêssemos afoitamente as estradas da liberdade e abandonássemos uma dose apreciável do obscurantismo terceiro-mundista que nos tolhia. Ao escrever o derradeiro editorial do jornal da campanha que, a convite do candidato Mário Soares e do director de campanha Gomes Mota, dirigi, formulei o voto de que a chegada a Belém do novo presidente fosse de molde a conseguir varrer de Portugal os «sete pecados políticos» apontados pelo Maha-tma Gandhi: Política sem princípios/Riqueza sem trabalho/Prazer sem vigilância/saber sem discernimento/Comércio sem moralidade/Ciência sem Humanismo/Culto sem sacrifício. A verdade é que o sonho não se transformou em realidade. Infelizmente. n MJHM - Director honorário SP
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