Catedrático da liberdade
por MJHM em Novembro 27,2009
Ao regressar do Brasil em 1981 onde, apesar de muitas e variadas vicissitudes, adquiri alguma experiência de saber feito, tive a oportunidade de “crismar”o Dr. Mário Soares com o epíteto de grão-mestre da democracia portuguesa, sendo o primeiro a conceder-lhe semelhante galardão, galardão mais do que justo, na medida em que, entre nós, ninguém mais o merece do que o autor do “Portugal Amordaçado”. Uma tarde destas, porém, quando tive a honra de me sentar ao lado direito da cadeira onde o Dr. Soares presidia à cerimónia do lançamento do livro da reedição do livro “Portugal, o Ultramar e oFuturo“ que então publiquei, prefaciado pelo Marechal Craveiro Lopes, dei-me subitamente conta de que ao meu “agraciado” era mister encontrar outra distinção, porventura ainda mais honrosa do que a primeira acima referida.Nesse instante, lembrei-me que seria mais adequado passar a identificar o Dr. Soares como catedrático da liberdade, sem todavia lhe retirar a grãmestria da democracia portuguesa. Na realidade, um homem que aos 86 anos continua a publicar, com rara lucidez, uma média de 5 a 6 livros por ano, abordando os temas mais diversos e mais controversos, sempre disponível para ser um pioneiro da verdade, da modernidade e da ousadia, é digno de todos os elogios e encómios. Licenciado em Direito e em Letras, homiziado em S. Tomé e em Paris. Frequentador assíduo do aljube e da António Maria Cardoso, doutor honoris causa por um sem-número de universidades, ministro, primeiro-ministro, Presidente da República, autor de qualquer coisa como 80 livros, presidente de inúmeras confederações internacionais. Não sei bem mais o quê. Soares é, efectivamente, um catedrático da liberdade. Merece tudo, mesmo que lhe sejam perdoados os pecados a que acaso tenha cometido. Honro-me em ser seu amigo. - Apostila: Uma linha de sentidos pêsames pela filha do director da Soberania do Povo. Desloquei-me a Águeda propositadamente, porque não tive conhecimento tempestivo da tragédia, alertado e emocionado abraço, António. É em momentos como este que nos interrogamos se vale a pena viver).
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