A propósito de estabilidade
O senhor Presidente da República tem-se esfalfado a pedir e a revelar desejos de estabilidade. Não sendo de admitir que diga aos portugueses uma coisa querendo, na realidade, o contrário, darei como adquirida a vontade publica e reiteradamente expressa. Parecerá, assim, que a estabilidade presidencial teremos a sobredita cuja governamental, a mesma oposicional (à direita e à esquerda…) e por aí fora… Tanta estabilidade, dá que pensar. Em primeiro lugar teremos de saber de que estabilidade se trata. E, depois, que desígnios terá. Como acontece com outros temas, a estabilidade, em si mesma, tanto poderá ser boa ou má, excelente ou péssima. Depende das intenções e do que acarreta consigo. A exemplo da ordem. Tive ensejo de, um dia dizer, em S. Bento, respondendo aos instantes apelos, formulados pelo então ministro da Educação de Salazar, José Hermano Saraiva, que a ordem devia ser respeitada e mantida mas não a qualquer preço. Ordem havia com Hitler, em Berlim; com Musolini, em Roma; com Estaline em Moscovo, e assim por diante. E, todavia, não era, nem é, essa a ordem que se desejava e deseja. Como acontece, repito, com a estabilidade. Se esta se identificar com o imobilisno, por exemplo, será então preferível que se opte pela instabilidade que pode significar progresso e desenvolvimento e outras benesses mais. Torna-se necessário saber de que estabilidade se trata, para ficarmos cientes do que pedimos e desejamos. Porque se essa estabilidade custar o marasmo em que caímos e nos temos mantido, se essa estabilidade for a paz pelo manto diáfano do invólucro e permanecer oca no interior que se destinava a novas metas e a outros cometimentos, então deixemos a estabilidade seguir o exemplo das figueiras que frutificam sem dar flor. n MJHM - Director honorário SP
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