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Consolidação e expansão do Império Soviético

por MJHM em Maro 11,2010

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Através da dinâmica adquirida pela derrota nazi, a URSS conseguiu, ainda que fosse passada uma esponja sobre os crimes, os espurgos, os ajustes de contas que o regime soviético anteriormente praticara.
 A derrota de Hitler, como bem recorda François Furet no seu magnífico “O Passado de Uma Ilusão”, teve o condão de fazer obnubilar as características totalitárias e despóticas de uma das potências vencedoras. Enquanto a primeira das grandes guerras gerou estados totalitários ou ditatoriais, a segunda teve um deles já instalado no berço vencedor. o marxismo-leninismo, substituiu a religiosidade, assumindo o papel de ópio do povo.
O acidente - por momentos extasiado com bravura evidenciada pelas tropas soviéticas - não se limitou a legitimar a mitologia marxista-leninista: absolveu-a dos desvios cometidos a tal ponto que a circunstância da União Soviética ter pago o mais alto “preço” pela vitória sobre as forças do eixo, tornou possível lançar no esquecimento os processos de Moscovo, ocorridos entre 1925 e 1937, bem como os calorosos brindes trocados em 39 entre Hitler, Ribbentrope e Motolov, na capital do 3º. Reich.
A farsa que constituiu o julgamento do marechal Toukhatchevski, condenado à morte e fuzilado, e a partilha da Polónia com a Alemanha nazi, acabaram por ser consideradas, entre muitas outras, como “peças” menores, embora deploráveis do jogo do xadrez geo-político, que posteriormente haveria de conduzir ao triunfo sobre um inimigo tornado comum.
Poderá ser extraordinário, mas não pode restar qualquer sombra de dúvida: a liberdade, a igualdade e a fraternidade deram as mãos a uma das mais ferozes tiranias de todos os tempos. A liberdade passeou-se pelo mundo de braço dado com a tirania. Este camuflar das verdadeira situação no interior do Império, só veria a começar a ser desvendado após a morte de Estaline em 53, e sobretudo com o discurso de Kruchov em 1956 no vigésimo congresso do Partido Comunista (...).
A revolução fora desencadeada para libertar os oprimidos, terminar com a exploração do homem pelo homem, granear abundância para todos, vencer o medo, a ignorância e a superstição. Numa palavra, criar um mundo novo onde a condição humana representasse a pedra de toque da nobreza da sociedade (...).
A liberdade prometida identificou-se com a mais despótica das tiranias. A exploração do homem pelo homem deixou de ser apenas económica: foi desviada a favor dos super-privilegiados, membros de uma nomenclatura de raiz oligárquica e monopartidária. A penúria nunca chegou a ser vencida pela prosperidade: salários miseráveis, filas infindáveis, escassez de produtos, atraso tecnológico, etc, etc...
O medo, a ignorância e a superstição, mantiveram-se, embora com sinal contrário: o marxismo-leninismo, substituiu a religiosidade, assumindo o papel de ópio do povo. A condição humana foi degradada até um nível tão baixo como raras vezes terá sido registado pela História. Foi o maior embuste do século XX e um dos maiores de sempre.



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