Novo ciclo
Enquanto deixei de publicar nestas velhas colunas a minha habitual colaboração, ocorriam por esse mundo fora, aquém e além fronteiras, acontecimentos da maior importância e susceptíveis de alterar, porventura radicalmente, o mapa geopolítico da Terra. Coincidente com uma das mais graves crises económicas de sempre, verificava-se o agravar da instabilidade política nos mais diversos locais, alguns considerados, por uns e por outros, como de importância estratégica fundamental. No que respeita a Portugal, raras vezes padecemos de uma situação tão precária, da qual parece difícil libertar--nos; no que toca ao resto do mundo, pouco falta para que se ouça na costa algarvia o disparar fratricida entre os partidários e os adversários do coronel Kadhafi, os afrontamentos sangrentos entre tunisinos, os ajustes de contas entre os partidários de Moubarak e uma espécie de Conselho da Revolução, como já tivemos nas nossas entranhas. No Irão, começam a sentir-se fermentos da inquietação e no Afeganistão e Iraque continuam a morrer, como tordos trucidados pelas bombas suicidas dos terroristas profissionais. No início desta semana, aconteceu um facto político que parecia impossível ocorrer: numa primeira, entre dezenas, de sondagens que vão fazer-se relativas às presidenciais francesas do próximo ano, e, a presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, filha do até há pouco chefe da extrema-direita francesa, ficou em primeiro lugar, antes de Sarkosy e a grande distância de todos os demais! Meditemos numa próxima oportunidade.
n M. J. HOMEM DE MELLO Director Honorário SP
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