Até quando Catilina, deixarás de abusar da nossa paciência?
por MJHM em Janeiro 13,2010
“Quousquae tanden abuteris catilina Patientia Nostra?”, assim desabafou Cícero, em pleno Senado, contra Catilina, símbolo da corrupção do Estado. Cícero, um dos maiores se não mesmo o maior orador parlamentar de todos os tempos: “Até quando, Catilina, deixarás de abusar da nossa paciência?!”. Eis o que apetece perguntar aos donos ou responsáveis pela programação da maior parte dos canais televisivos que diariamente massacram os pobres dos telespectadores com doses maciças de publicidade, ainda por cima quase sempre repetitivos, de mau gosto e de discutível qualidade e falta de imaginação. Mas, pior do que isto, é a enormidade do tempo consumido com os famigerados anúncios que, de uma maneira geral, ultrapassam o que é “concedido” quase sempre aos programas propriamente ditos. É evidente que os senhores Balsemão e demais oligopolistas dos “media” - estão-se borrifando para os protestos que diariamente lhes chegam, protestos que, “traduzidos” em vernáculo, lhes deixariam as orelhas a arder. O que importa é o negócio e só o negócio. Entre a qualidade ou melhor a falta dela e os euro não á duvida possível. Esquecem esses magnatas que os órgãos de comunicação social - e a televisão mais do que quaisquer outros - têm deveres sociais a cumprir e contratos com o Estado a respeitar, podendo (e devendo!) ser-lhes retiradas as licenças de emissão caso faltem às obrigações que aceitaram. Quando somos obrigados a “engolir” qualquer coisa como 30, por vezes 40 minutos de publicidade ininterrupta a troco de, pelo menos, outros tantos de programação, é evidente que não conseguimos deixar de sentir um frémito de revolta que qualquer destes dias poderá resvalar no desacato. Então, porque não actua o governo pondo cobro a este abuso intolerável? Não actua porque tem medo. Não actua porque revela não estar á altura da missão que aceitou e lhe cumpre desempenhar. Não actua porque permite a confusão da liberdade com a autoridade. Não actua porque o receio das consequências políticas ultrapassa o próprio medo físico. Não actua. E devia actuar. Sem dó nem piedade.
1833 vezes lido
|