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Prestar contas à cidade

por José Neves em Agosto 19,2009

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De vez em quando aparecem na imprensa trabalhos sobre a actividade política de deputados na Assembleia da República, Parlamento Europeu e outros areópagos, dando conta aos leitores e
eleitores do seu trabalho no exercício do cargo, assiduidade, empenho no desenvolvimento das suas funções e ligações que procuram manter com a sua região ou país.
De certo modo, esta é uma forma dos eleitos irem prestando contas aos seus concidadãos do que estão a fazer, das matérias que estão a analisar e das propostas políticas - porque é disso que se trata - que têm no momento em “cima da mesa”, no sentido de melhorar a vida da comunidade que os elegeu e, de forma mais lata, a vida de todas as outras à sua volta.
Quatro anos depois das últimas eleições, aí estamos, de novo, na recta da meta do voto. Candidatos na rua, panfletos nas feiras, bandeiras coloridas, sonoras caravanas, porco no espeto...
As eleições transformam-se, assim, numa festa cíclica em que pouco de importante se discute e esclarece, e onde o que importa são as “concentrações de massas”, a grandeza dos meios logísticos utilizados e o dia de reflexão.
E para este dia de reflexão - e no que a Águeda diz respeito - os candidatos que agora se apresentam de novo à Câmara ou Assembleia Municipal-deviam publicar o histórico da sua passagem pelo mandato que agora terminam, informando os seus conterrâneos das propostas que apresentaram durante o tempo que lá estiveram, a contribuição dada ao debate das grandes problemas do nosso concelho e a honestidade e a ética com que o fizeram, à mesa política.
Não deve a política servir para premiar favores económicos, branquear carreirismos políticos, deixar-se ajoelhar diante de interesses instalados e secretas organizações.
O tempo do voto é um tempo de exame.
E só deve passar quem  se apresenta livre, caminhando com a cidade, sofrendo com as suas dores, e afirmando a política como um instrumento ao serviço da esperança, do desenvolvimento da terra,
numa ligação umbilical com a cidade e o seu povo.
Não é Beatriz?

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