Postal da semana: O pirilampo
A jovem estava a iniciar a sua carreira profissional e encontrava-se bastante abatida. Desabafou comigo o seu problema. Sabia que estava a ter sucesso no seu trabalho, acima do que era suposto, mas começou a ter problemas com colegas, o que andava a dificultar o seu desempenho. Percebi que o facto de não entender o porquê da atitude dos colegas estava a perturbá-la, ao ponto de ser perceptível preocupantes sintomas de excessivo cansaço ou já em fase de início de depressão! Procurei explicar que a excessiva preocupação com esse problema ia levar a jovem a falhar no seu objectivo profissional! O seu pensamento, dia e noite, estava a ser ocupado com essa dúvida de forma dolorosa. O que podia conduzir a uma inevitável depressão. Procurei ajudar na busca da resposta ao atropelo dos colegas ao seu desempenho. Servi-me da sabedoria popular. Contei a “história” daquela cobra, que começou a perseguir um pirilampo. Este, já sem forças, parou e disse-lhe: - “Posso fazer três perguntas?” - “Já que te vou comer, diz!”, respondeu a cobra. - “Pertenço à tua cadeia alimentar?” - “Não!” - “Fiz-te algo de errado?” - “Não!” - “Então por que razão me queres comer?” A resposta da cobra foi sublime: “ -Olha, porque não suporto ver-te brilhar!” Contei ainda aquela opinião que ouvi da boca do então presidente Jorge Sampaio: “Há pessoas com iniciativa que não têm sucesso em Portugal, mas que o conseguem lá fora, talvez porque lá não têm que estar sempre a olhar por cima do ombro!” Duma forma mais simples, ouvia em criança um “conselho” muito popular: “Não queiras que, ao passar na rua, as pessoas digam: coitado, que pena temos dele! Faz com que digam: sacana, sempre de camisa lavada, a sorrir e de cabeça erguida, só porque tem sucesso na vida! O mais certo é ter roubado ou vigarizado alguém! Devia por isso andar de cabeça bem baixa!”
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