Ok, pá!
“OK pá!”. Esta foi a resposta que ouvi, em conversa telefónica com alguém que não conhecia e com quem tratava de assunto profissional bastante sério. A expressão deixou-me estupefacto! Já o “ok” não soaria bem. O “pá” ultrapassou o razoavelmente aceitável. Não me contive e disse em tom cordial: “O meu nome não é “pá”! Desculpe mas não estou habituado a este género de linguagem., muito menos com alguém que não conheço e que ocupa cargo de responsabilidade em Instituição respeitável”. Do outro lado esperava alguma retratação, simples que fosse, para ficar claro que não ia deixar que o diálogo saísse dos níveis de respeito adequados. Ao invés, a pessoa reagiu mal: “Eu uso a linguagem que bem entendo! Se não gosta o problema não é meu! O senhor é quem está ultrapassado, porque eu falo uma linguagem comum!” Percebi que o “douto” e provavelmente jovem interlocutor, não estava à altura do assunto bastante sério que estava a ser tratado e que era de interesse de ambas as partes que corresse bem. “Lamento que não consiga que entenda que não aceito esse género de tratamento e se o mantém terei que pedir desculpa e desligar o telefone”, disse, ainda cordialmente. “Ó pá, o problema não é meu!” Em presença da arrogância do meu interlocutor, desliguei. Seria provavelmente útil criar nas Universidades uma disciplina que ensine a estes jovens, que acham que ter um “canudo” é ser “doutor”, que certas terminologias linguísticas não fazem parte do vocabulário aceitável para tratar assuntos profissionais! n EC
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