Um polémica interessante e corajosa
Ficamos a dever ao dr. Alberto João Jardim mais uma interessante polémica política, entre tantas outras que tem protagonizado e que só ele, nas actuais circunstâncias da vida política portuguesa, seria capaz de levantar e animar. Conheci o futuro presidente do Governo Regional da Madeira aí pelos idos de 72 quando me desloquei pela primeira vez ao arquipélago, a convite do então governador militar e meu amigo, coronel Aires Martins, no intuito de proferir uma conferência sobre a política externa portuguesa no quadro da Aliança Atlântica. Era ele, o Alberto João, um jovem cadete miliciano em visível tirocínio - se assim se poderá dizer - para mais altos destinos. Creio que não me ficará mal revelar e recordar os elogios que a minha palestra lhe mereceu, a tal ponto que sempre que nos fomos encontrando pela vida fora - e algumas terão sido - nunca deixou passar em claro a ocasião de recordar o “brilharete” que ele considerava ter sido feito por mim. Não significará isto que ambos tenhamos acompanhado e aplaudido sempre todas as tomadas de posição que cada um foi assumindo ao longo do tempo, designadamente o que considero a demasiada extroversão da sua maneira de ser e de estar, bem diferenciada da minha. Mas, genericamente, fui apreciando e aplaudindo a obra colossal que levou a cabo na Madeira, autêntica pérola encrostada na imensidão do Atlântico. Não sei se oportunamente, mas pelo menos com coragem e galhardia, Alberto Jardim defendeu recentemente a ilegalização do comunismo carreando como principal defesa da sua tese o mesmo tratamento que o fascismo tem merecido. A defesa da tese de Alberto João não pode ser feita no reduzido espaço que aqui generosamente me é reservado. O que, aliás, lamento. Mas poderá acrescentar-se, sem fanatismo, que a diferença do tratamento resulta da vitória obtida na guerra. O menos que poderia ter sucedido haveria de ser o inverso da situação. A chamada ilegalidade seria outra e é quase certo que o artigo da Constituição - partindo do princípio de que chegaria a haver Constituição ... - “defensor das liberdades e garantias”, seria aquele que aos nazis mais conviesse. Vae victis, Ai dos vencidos. Glória aos vencedores! Hitler vencedor, branquearia o holocausto judaico. Estaline, derrotado, seria condenado às galés da História. Um regime verdadeiramente democrático não pode interditar a actividade política, invocando razões de natureza ideológica. Na realidade, quem terá cometido maiores barbaridades? Os súbditos de Hitler ou os apaniguados de Staline? Porque há-de ser consentido o proseletismo marxista e autorizada a propaganda comunista, ao invés do que sucede com o fascismo, se uns e outros cometeram as maiores chacinas e barbaridades, qualquer coisa como 8 milhões de judeus da parte nazi e ao redor de uns 10 milhões de burgueses por banda dos comunistas? Que diferença teria havido entre um Álvaro Cunhal, em S. Bento, sentado na cadeira do poder, e um Stalin ou um Molotov instalados nos faustos do Kremlim? Que ninguém fique com quaisquer espécies de dúvidas: a verdadeira para não escrever a única diferença entre aqueles e estes, entre comunistas e nazis, foi a Guerra que uns ganharam e os outros perderam. O resto poderá contar-se pelos milhões de vítimas que encheram e encherão para sempre os campos de batalha onde repousam milhões... e milhões de inocentes, sacrificados no altar da ambição humana. Comunismo e fascismo: duas maléficas CARAS de uma mesma moeda. n MANUEL JOSÉ HOMEM D MELLO Director Honorário SP
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