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Dar a palavra ao povo de Águeda

por José Neves em Fevereiro 01,2012

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Até Julho próximo e no quadro do acordo político com a Troika,  
assinado pelo PS, PSD e CDS, subjacente e condição sine qua none ao  
financiamento externo de 78 mil milhões de euros e no que à politica  
autárquica respeita, estará estabelecido o novo mapa autárquico (concelhos e freguesias) e a lei eleitoral autárquica, com a quase certa novidade de executivos monocolores, constituídos apenas por   vereadores do partido vencedor, não incluindo, como até agora acontece, elementos da oposição.
Reduzir entre 1000 a 1500 freguesias é o objectivo desta “reforma” e lançar uma nova lei das finanças locais que procure resolver o passivo de 8 mil milhões de euros das Câmaras e retirando, dessa forma, algumas dezenas de uma falência anunciada.
Mas se o Governo não quer extinguir concelhos, enquadrando alguns nas CIM (Comunidades Intermunicipais), dando-lhes mais recursos e atribuindo-lhes mais funções, o corte nas freguesias vai mesmo  acontecer.
E é aqui que bate o ponto e a pergunta à política aguedense se justifica: será que os nossos políticos estão atentos ao problema, têm  
informado os munícipes do que se passa e se têm alguma estratégia na defesa da identidade que uma freguesia representa para os seus  
habitantes?
Ou, ao contrário, e como infelizmente aconteceu no caso do tribunal novo, hospital, ligação de Águeda-Aveiro, só para citar alguns  
exemplos, se inclinam submissos e de joelhos ao poder central de Lisboa?
Dar a palavra ao povo de Águeda teria sido a oportunidade da nossa política, indo ao encontro da sua população e servindo de exemplo ao país - perguntando-lhe, em consulta popular, se acha bem a sua terra mudar de nome, a sua Junta de freguesia encerrar portas e que consequências virão para a sua vida, se tal acontecer.
Mobilizadora da adormecida opinião concelhia, esta consulta seria um  
acto de democracia directa, no respeito pelos eleitores e pelos princípios e valores de um Estado de direito democrático.
Uma consulta popular em Águeda seria ainda a altura para ensinar a democracia nas escolas, credibilizando o poder local da nossa terra e afirmando que o voto nas últimas eleições não foi em vão - os autarcas  
eleitos souberam “levar a carta a Garcia”, não ficaram pelo caminho e não entraram nos jogos do poder.
Nunca te entregues Beatriz, só por que te acenam com meia dúzia de rebuçados!
n JNS

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