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Entrevista: Próximas eleições autárquicas terão dois projectos personalistas

por admsoberania em Julho 15,2009

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Denis Ramos Padeiro disse a SP que “as próximas eleições autárquicas terão dois projectos personalistas em confronto, dois tipos de gestão diferenciados na substância e nos objectivos”.
O antigo presidente da Câmara, o mais vezes eleito da história democrática de Águeda, aceitou falar a SP dos seus três mandatos e da actualidade política.

SP: Foi o presidente da Câmara de Águeda que, até agora, esteve em funções durante mais mandatos. Isso é gratificante para si?
DR: Creio que não se deve valorar um autarca pelos seus mandatos mas, sim, pela qualidade das intervenções dos seus executivos, em prol do concelho. Apesar de ter recebido a confiança dos eleitores em três eleições, no meu caso isso pode não significar muito. E o que porventura signifique, não foi trabalho de um homem só. Pelo contrário, sem os colaboradores que me acompanharam, desde vereadores a técnicos e funcionários camarários, não seria possível executar-se o que porventura de positivo se fez. Nessa perspectiva, foi realmente gratificante.
SP: Nunca dispôs de maiorias absolutas. Foi desestabilizadora essa situação?
DR: Felizmente, nunca dispus de maiorias absolutas, nem senti necessidade delas. Em minha opinião, elas podem, se utilizadas sem o bom senso aconselhável, desvirtuar o mandato que se recebe. Você sabe bem que a democracia se alimenta exactamente da diversidade de ideias e de propostas e até dos inevitáveis e saudáveis confrontos.
SP: O mais importante é...
DR: O importante para quem lidera é saber canalizar em favor do interesse colectivo todas as contribuições, todas as sinergias e até as parcerias que se lhe oferecem. Eu não poderia dar-me ao luxo de prescindir da qualidade dos vereadores que comigo constituíram os executivos, nem do contributo das associações sectoriais de Águeda. Eu partilhei, por exemplo, dos anos de ouro da AIA e da ABIMOTA. Neste aspecto, talvez eu pudesse ter ido mais longe. Mas os tempos eram outros.
SP: Após o seu último mandato, afastou-se um pouco da vida política activa, inclusivamente, da partidária. Porquê?
DR: Isso tem a ver com o modo como encaramos o exercício de funções sujeitas a sufrágio, ou seja, como estamos na vida política. Ninguém se deve julgar insubstituível, a rotatividade até nos beneficia a todos. Por outro lado, tenho muito respeito por quem exerce a actividade autárquica e não é da minha postura pessoal fazer ruído na praça pública a pôr-me nos bicos dos pés. Acontece também que nunca fui homem de partido, dos aparelhos partidários, e você sabe o que isso acarreta frequentemente. A acção política não é para diletantes, é para os que gostam da política. Que não é o meu caso.
SP: Posso deduzir que saiu algo decepcionado?
DR: Longe disso. Já lhe disse que me senti muito gratificado por ter presidido à Câmara Municipal de Águeda. Queria que em dez anos de exercício autárquico tudo fosse um mar de rosas? É óbvio que houve meia dúzia de atitudes, porque inesperadas, que me desgostaram um pouco, mas uma árvore não faz a floresta.
SP: Não esqueceu o caso da ponte do Ribeirinho. É isso?
DR: Da ponte do Padeiro, da ponte dos Porcos? Não. Eu até compreendo a atitude dos vereadores socialistas, obedeceram a uma estratégia partidária, quero crer, e legítima, portanto. Em política, quando não se pode caçar com cão, caça-se com o gato, é dos livros. É verdade que me desgostou uma ou outra atitude, por partir de quem partiu, só isso. A ponte está lá, penso que é útil.
SP: Já que falámos da ponte, que obras dos seus mandatos maior prazer lhe deram?
DR: Sabe, felizmente tivemos a oportunidade de executar muitas e diversas obras por todo o concelho. Aliás, fomos eleitos para isso, para procurarmos atenuar as assimetrias com que deparámos em 1980, no seguimento do meritório trabalho do dr. Valdemar Alves. Com a acção empenhada dos senhores vereadores foi possível dar passos decisivos na satisfação de muitas das carências, do abastecimento de água e saneamento à construção do parque escolar, ao apoio às instituições de carácter social e cultural e às parcerias institucionais, de que a construção da ECTRI é um bom exemplo.
SP: Em trabalho de equipa?
DR: Foi meu ponto de honra distribuir por todos os vereadores a responsabilidade de pelouros que é prática corrente entregarem-se apenas aos do partido do poder, porque se receia que do seu bom desempenho se retirem dividendos partidários. E até fui muito criticado por isso, por essa gestão partilhada. Sem querer ferir susceptibilidades, dou-lhe alguns exemplos: ao eng.º Celestino de Almeida, a Cultura, o Turismo e os Serviços Municipalizados de Água, Saneamento e Electricidade, ao dr. Santos Silva a área escolar, ao dr. Vítor Mangerão o Turismo, ao dr. António Miranda o Meio Ambiente e Resíduos Sólidos, ao dr. Silva Pinto a área social, ao sr. Aurélio Ferreira as relações institucionais com a AIA, ABIMOTA, ACOAG, ao falecido José Silva os Mercados.
SP: Há-de haver uma ou outra obra que lhe deu mais prazer?
DR: Em dez anos, é óbvio que fizemos algumas obras. Não vai querer que eu lhas enumere uma a uma, pois não? Mas já que insiste, cito-lhe os Paços do Concelho, a rede escolar, o saneamento e as ETARES, a primeira piscina municipal, pontes em Águeda, Espinhel e Fontinha, o contributo para a instalação de estabelecimentos do ensino preparatório e secundário em Aguada de Cima, Fermentelos, Arrancada do Vouga e Crastovães. E o ensino superior. As estradas, a elaboração de instrumentos de planeamento, por exemplo. Há realmente duas ou três que devo distinguir: a pavimentação da estrada do campo de Recardães, talvez por ter sido a primeira obra do primeiro mandato, o Bairro do Redolho, a infraestruturação de terrenos para disponibilizar a preços acessíveis aos munícipes na Alagoa, Agueiro, Travassô e Segadães e a abertura de estradas na zona serrana. Esta última intervenção é, a nível pessoal, a que mais me reconfortou, porque contribuiu para melhorar a qualidade de vida das gentes serranas, até então um tanto marginalizadas das benesses oficiais.
SP: Como antevê o próximo “combate” autárquico de Águeda?
DR: Creio que voltamos aos tempos em que as formações partidárias discutiam, taco a taco, a cadeira do poder. O enquadramento conjuntural é diferente. Estamos na aldeia global, creio que já ultrapassámos o patamar da gestão do alcatrão. Nas próximas eleições autárquicas defrontar-se-ão dois projectos personalistas, dois tipos de gestão diferenciados na substância e nos objectivos. Que vença o melhor projecto para a Águeda do século XXI.
SP: Agora que também já está retirado do ensino, como passa os dias?
DR: Vivo. Livre e em paz comigo próprio. E vou continuando à volta de papéis velhos a escrever uns textos de vez em quando. Chega-lhe?  


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