Gabinete da Europa na Câmara de Águeda
Em tempo de eleições para o Parlamento Europeu, bem podia o poder local aguedense organizar um debate sobre a Comunidade. Um debate sobre as obras concelhias executadas com o seu apoio, os projectos que, no momento, estão contemplados no QREN (actual quadro comunitário de desenvolvimento regional) e quais os estudos que a autarquia aguedense tenha em curso, sozinha ou no âmbito de Associações Regionais e destinados a uma candidatura. Um debate que procurasse analisar se a autarquia aguedense, desde que existem quadros comunitários de apoio, soube estar atenta ao processo europeu, estudando os dossiers, elaborando a tempo e horas os projectos para as obras que Águeda há muito espera, apresentando-os à comparticipação de Bruxelas, ou, se pelo contrário, perdeu tempo no correio da burocracia, tratou as coisas em cima do joelho deixando a outras entidades -Associações Regionais, Universidade de Aveiro, Comissão de Coordenação da Região Centro, Governo de Lisboa - o trabalho técnico e político que lhe cabia desenvolver. Os 2% de comparticipação comunitária de que a Câmara de Águeda beneficiou em 2008, relativa a obras realizadas em igual período, traduzem uma situação preocupante de afastamento continuado de ajudas, que a Europa disponibiliza, e põe a nu um dos calcanhares de Aquiles da estrutura municipal e que a política local há muito devia ter resolvido. Águeda, a Câmara de Águeda, precisa de ter, dentro de portas e debaixo das suas telhas, um Gabinete da Europa. Gabinete da Europa que seja uma estrutura profissional a tempo inteiro, que centralize e reúna em permanência a informação e legislação comunitárias, acompanhe e desenvolva projectos, dinamize e convide á participação a Escola, a Indústria, os munícipes. Um Gabinete da Europa, criado de boa fé política e livre de tutelas partidárias - quer da situação quer da oposição - que constituiria um primeiro passo para que Bruxelas viesse mais vezes a Águeda, os deputados prestassem melhores contas aos eleitores e as viagens dos políticos da autarquia a Lisboa ou a Estrasburgo não fossem de chapéu na mão ou a precisar de tradutor. Que achas da proposta, Beatriz?
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