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Do Choupal dos Abadinhos às listas de Independentes

por José Neves em Fevereiro 18,2009

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O abate, por decisão do Presidente da Câmara de Águeda, de mais de duas centenas de choupos do que era o frondoso parque dos Abadinhos e o mais recente transplante das palmeiras junto ao Tribunal, mostram uma maneira pouco urbana de olhar a cidade, são o exemplo de um planeamento de circunstância - que afasta os munícipes da participação da coisa pública e não responde às exigências do que é preciso fazer no perímetro urbano da cidade.
E ao não actuar com a prioridade que se impunha na limpeza de algumas chagas da cidade - como ainda e recentemente lhe chamou o dr. Silva Pinto, o último candidato socialista à presidência da Assembleia Municipal, referindo-se em concreto à Casa do Engenheiro e ao centro de canoagem, junto da ponte do Ribeirinho - o executivo do dr. Gil Nadais não assume a plena legitimidade política que lhe permite bater-se pelos superiores interesses da comunidade, ao refugiar-se, como tem acontecido, em explicações de retórica jurídica dilatória.
A baixa da cidade, o rio e a sua várzea, a zona envolvente do estádio municipal e o mercado, são a sala de visita da cidade, que deveriam merecer um carinho particular da autarquia: na articulação da elaboração de projectos, na sua execução e na criação de uma ponte de informação e diálogo com a população, sem preocupações partidárias ou tiques de calendários eleitorais.
Infelizmente, não é isso que tem acontecido.
Os dirigentes partidários com responsabilidades na autarquia não souberam abrir um debate público sobre a cidade, afunilaram algumas iniciativas para os “sempre os mesmos” e impediram que novos horizontes se abrissem - e que uma realidade de uma efectiva  e consequente opinião dos cidadãos sobre os caminhos da sua terra  emergisse, concretizando a sustentabilidade do poder local e afirmando-se numa prática adulta de democracia.
Nas últimas eleições autárquicas, sete em vinte freguesias do concelho tiveram listas de cidadãos independentes, com mais de dois mil votos nas urnas.
Um pouco por todo o país - e Lisboa é um caso exemplar - os cidadãos  integram movimentos cívicos para participarem no governo da sua terra.
Talvez tenha chegado a hora de, em Águeda, se concretizar um movimento para a Câmara Municipal.
Não é, Beatriz?  n  JNS

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