Clube da Venda Nova: Quem sabe se vão promovê-lo e chamá-lo para outro cargo!?
O Amilcar Granizo clamava no Largo do Cruzeiro, em Foramontanelos, para um aglomerado de gente grada da terra: “Como é do conhecimento de todos, sempre exerci os meus mandatos com inteligência, aprumo, dedicação, seriedade e carinho para com os meus concidadãos. Fiz obras, pensei obras e encabecei campanhas como, por exemplo, a dos jacintos, para acabar com eles”. “Se quisesses acabar com os Artures, tinhas mais trabalho”, ironizou o Artur Carvalhoso, ”Até inventei uma máquina para os cortar, só que não foi certificada”, continuou, empolgado o Amilcar - limpei a pateira, limpei os caminhos, as valetas e os lavadouros e defendi intransigentemente o meu torrão natal em todas as instâncias”. “Mas tanto auto-elogio porquê?”, perguntou o João Manso, do meio do ajuntamento. “Estou aqui com esta faladura porque fui informado de que a comissão política do meu actual partido não quer que eu me recandidate e quer substituir-me por outro e eu não vejo ninguém do meu tamanho”, disse Granizo. ”Lá grande és!”, concordou o Timorato. “Não digo na altura física - respondeu o Granizo - falo na estatura política, porque penso que não há ninguém que me vença!”. ”Também acho que sim, mas não há razão para se amofinar, porque pode haver motivos ponderosos e quem sabe se querem promovê-lo e chamá-lo para outro cargo”, disse, assertivamente, o Alcino da Farmácia - como sabem, a Manuela do Leite, presidente dos laranjas, determinou que quem quiser ir para Lisboa para deputado, não pode candidatar-se a qualquer autarquia, ou uma coisa ou outra”. “Quer dizer... - interrompeu com entusiasmo o Granizo - que querem pôr o meu nome numa lista para a Assembleia, em posição ilegível?”. “Isso mesmo! “, rematou o Alcino . ”Se é isso, vou já para Águeda dar um abraço ao Figueiredo Parado”. ”Isso faz sentido - disse em solilóquio o Artur Carvalhoso - então o Manuel Tampos de Espinhel também deve ir para deputado!”. *** * ** Os Notáveis da Associação de Comerciantes de Secos e Molhados de Águeda foram visitar Bissau, cidade gémea de Águeda. Foi também o José Carlos Flippers, que teve a ideia de instalar em todas as tabancas, zanzalas e roças, máquinas eléctricas de jogos de azar e, se necessário, os próprios geradores. Foram recebidos pelo presidente do Clube de lá, que os saudou: ”Cumprimento afectuosamente os irmãos de Águeda, que são gente de bem, espero que desta vez não tenham trazido nada que tivessem lá a mais... É que já me trouxeram uma camioneta dos bombeiros, que está ali encostada por avaria no semi-eixo e por falta de calços nos travões...!. “Trouxemos-lhe a amizade e a esperança de grande intercâmbio cultural e económico e uma jarra do Outeiro com o seu nome - disse, com entusiasmo, o Indispensável Pires - e vimos convidá-lo para a Festa do Leitão. E para início das nossas relações comerciais, vou levar já um contentor de mangas”. O Zé Carlos, enquanto eles falavam, instalou uma máquina de pocker, para demonstração. Meteu a moeda, a máquina desatou a apitar e a acender lâmpadas no mostrador e o secretário perguntou: “Isso dá prémios? Então que é que sai?...”. O Zé Carlos, solícito, explicou: “Sai, mas não sai sempre, é preciso ter sorte!”. O secretário encolheu os ombros e respondeu: “Então prefiro jogar numa que montaram ali no bar que a gente mete uma moeda e sai sempre um chocolate ou um refrigerante!
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