Mundo complicado para toda a gente
Duas notas de início, embora atrasadas: 1. O dr. Luís Filipe Menezes, só deveria falar quando está afónico. 2. O dr. Paulo Portas está muito farronqueiro. Mais que de costume, quero dizer. O dito e opinado. A falácia: Até hoje, 19 de Janeiro, a não ser que tenha andado distraíada, ainda não li, ou ouvi, sinais públicos da oposição (nomeadamente do PSD) que tenha lembrado ao senhor Primeiro-Ministro e ao engenheiro Mário Lino que os reparos que fizeram a Manuela Ferreira Leite sobre a sua adesão e não adesão à construção do TGV têm anos a separá-las! Quando sim, os fundos fluíam. Quando não, os fundos mirraram. Donde, a pretensa contradição só pode ter sido lembrada por má-fé, ou porque Sócrates andasse ao tempo do “sim”, ainda muito ocupado com os estudos universitários, e a comparação lhe falhe agora. O senhor das Obras Públicas, se calhar, vivia então no deserto, a sul do Tejo, sítio demasiado ermo para saber de minudências financeiras. Senhores distraídinhos! Somos todos parvos, ou quê?… Obama: Estava em Lisboa no dia em que Barack Obama tomou posse como o 44º. Presidente dos Estados Unidos da América. Tirei a tarde para seguir todos os passos do grande acontecimento. Fazia visita a uma muito querida tia, que a caminho dos 97 e três pneumonias seguidas, num espaço de seis meses, ainda tinha alento para seguir a mesma cerimónia, ora acordada ora a dormir… Connosco, a sua, digamos assim, dama de companhia de todas as horas, brasileira na casa dos quarenta, que estava, como eu, sem sono nenhum e quase me fez perder algum fio à meada de tão alegremente “histérica”. Depois das primeiras hesitações, aderi com entusiasmo ao candidato democrata. Espero que todos tenhamos a sorte de manter esta chama acesa com o novo Presidente! Cabeça arejada, olhos de pessoa inteligente, nova seiva. E, a começar, a cumprir promessas desde o primeiro dia. Houve quem não lhe apreciasse muito o discurso de entronização, que o achasse pobre. Na minha opinião, disse o que era preciso ser dito, sem se meter por grandes retóricas. De resto, nós, portugueses, sabemos bem como o vento leva as palavras e que quem mais jura mais mente… Falou, e muito bem, para as massas e não para intelectuais, que muitas vezes são os que metem a areia nas engrenagens… Eu cá não fui!: Voltou à baila o caso Freeport. Da altura em que Sócrates era o ministro do Ambiente, de Guterres. Não vi, não ouvi, não falei. E também não meto o senhor ao barulho nesta reprise. Acho só que a fotografia de então está desfocada em qualquer canto e precisa de retoque esclarecedor. Aconselharia aquele que mais se quer visar que não fosse pelo caminho de “o que querem é atacar a minha honra!”. O substantivo está há que tempos fora de prazo, quase nos remete ao tempo dos duelos. Deixou de ser sinónimo de respeitabilidade e credibilidade. Desceu ao nível da cave… Basta o “eu cá não fui!” Acreditem os “créus”, não acreditem os incréus. Nestas coisas, ficar chamuscado, mesmo sem brincar com o fogo, o risco é sempre certo… n Andamos todos debaixo d’olho: Dia tristonho, sem nada de interessante em vista. Resolvo despedir-me de Lisboa, em casa, lendo e ouvindo música. Como tenho dois dias antes do regresso a esta minha querida terrinha e não gosto de “últimas horas”, telefono ao meu neto Pedro, que se fez um alfacinha de gema e ficou a trabalhar na capital, após a licenciatura e mestrado na Católica. “Arranjas-me aí na “geringonça” (sorry!…) da internet um bilhete para o Alfa, para depois de amanhã?“. “Prajá!”. Reconcilio-me por momentos com os simplex modernos. Retorno da minha chamada: “Tens de me dar o nome nos conformes. Todos os números inscritos na frente e no verso do cartão e a validade deste. E o BI e a sua validade… “Ir de Lisboa a Aveiro não é área Shengen?- penso. Bilhete de Identidade?! Fiquei à espera de mais abonações: passaporte, fotografia, carta de condução, número de contribuinte, quiçá filiação e residência. E, quiçá, o número e alistamento no PS. Cruzes! Eu só pretendia um bilhetinho de comboio que me levasse de Lisboa a Aveiro! Duas horinhas; sem TGV.
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